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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Igreja sem rabo preso

Igreja sem rabo preso Definitivamente, não há posição mais confortável do que a proporcionada pela isenção. Não ter rabo preso com ninguém, nem tampouco estar comprometido ideologicamente, me oferece as condições necessárias para poder avaliar cada candidatura e suas respectivas propostas sem paixões desmedidas. Comprometi-me com a minha consciência de que não usarei minha influência e liderança para induzir quem quer que seja a votar nesta ou naquela candidatura. Por mais que me sinta atraído por uma ou outra, não sairei em sua defesa. Mas não posso fazer vista grossa com os argumentos usados por alguns líderes para convencer os membros de sua igreja a apoiar seus candidatos. Um dos mais usados é o que usa o exemplo de José de Arimatéia, membro do Sinédrio, que intercedeu junto a Pilatos para que liberasse o corpo de Jesus para ser sepultado. Não fosse sua intervenção, o corpo de Jesus teria tido destino semelhante aos dos outros crucificados: apodreceria na cruz até ser comido por urubus. De igual modo, a igreja, Corpo Místico de Cristo, necessitaria de quem representasse seus interesses nas esferas de poder. Primeiro, não somos um corpo inanimado, um cadáver, como era, então, o corpo de Jesus. Não precisamos de quem nos carregue, nem mesmo de quem nos proteja. Estamos assentados nos lugares celestiais em Cristo, muito acima de qualquer autoridade, seja terrena ou espiritual (Ef.2:6). A posição de Advogado da igreja já está devidamente ocupada. Quem defende nossa causa é Cristo! Ademais, a igreja não carece de quem a enterre, lançando uma pá de cal sobre a sua credibilidade e relevância. Segundo, precisamos de quem defenda o direito do pobre, dos excluídos, dos desfavorecidos deste sistema iníquo, e não de quem faça lobby em favor dos interesses eclesiásticos. Leia atentamente: "Abre a tua boca a favor do mudo, a favor do direito de todos os desamparados. Abre a tua boca; julga retamente, e faze justiça aos pobres e aos necessitados." Provérbios 31:8-9 O sucesso da igreja no cumprimento de sua missão não depende da intervenção ou ajuda do Estado. Pelo contrário, ela geralmente prospera mais onde o Estado lhe faz oposição. Veja o exemplo da China, onde a igreja mantém-se na clandestinidade, reunindo-se em salas subterrâneas. Em nenhum outro lugar ela tem crescido tanto. Quando Paulo se viu perante as autoridades do seu tempo, ele não fez lobby pela igreja, mas deu testemunho da verdade do Evangelho. “Nada podemos contra a verdade, senão em favor da verdade” (2 Co.13:8), dizia ele. Era em defesa do evangelho, e não da igreja, que o apóstolo militava (Fp.1:17). Que Deus levante em nossos dias líderes e cristãos comprometidos com o Reino e com a causa dos necessitados, mesmo quando isso representar qualquer prejuízo às instituições a que chamamos de igrejas. Não se trata de adotar uma postura apolítica, e sim de não se comprometer com qualquer partido ou ideologia. Que jamais saiamos em defesa deste ou daquele regime. Fomos chamados por Deus para pregar o Seu Reino e a Sua Justiça. É sempre preferível nos manter numa posição de total isenção, que nos dará condição moral de denunciar as mazelas de qualquer que seja o sistema político. Sem esta isenção, perdemos a eficácia profética no mundo. Foi este tipo de isenção que deu a Jesus a condição moral de elogiar um centurião romano por sua fé, sem com isso endossar o domínio imperial. Sem isenção, João Batista jamais poderia denunciar os erros praticados por Herodes. Nem presentes ou privilégios oferecidos pelo monarca eram capazes de calá-lo. Não foi à toa que sua cabeça acabou num prato. Um profeta que não se vende vale mais do que a metade de um reino (Mc.6:23), em contrapartida, o que tem sua alma etiquetada não vale coisa alguma. Bem faríamos em dar ouvidos à advertência de Jesus a Seus discípulos: “Guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes” (Mc.8:15). O fermento é o recurso usado para promover o crescimento rápido da massa. Todavia, o que se vê ali não é, de fato, crescimento, mas, tão somente inchação. Uma das principais razões pelas quais alguns se rendem ao assédio dos poderosos é o desejo de atrair para si os holofotes e alcançar relevância política. Em nome disso, conchavos são celebrados, sejam com os fariseus ou com Herodes, com os rótulos religiosos/doutrinários ou com os rótulos políticos/ideológicos. E assim, a massa inteira fica comprometida. Basta uma pitada de fermento para levedá-la por completo (Gl.5:9). No afã de obter a atenção dos novos Herodes, marchas e eventos que visam demonstrar nossa força são promovidos. Multidões nas ruas são sinônimo de capital político, poder de barganha. Seria ingênuo imaginar que o objetivo de tais concentrações seja a evangelização ou mesmo a glória de Deus. Como a enteada de Herodes, o que se almeja é seduzi-lo com sua dança insinuante. Depois de deixá-lo encantado, poderemos pedir dele o que bem entendermos: riquezas, influência, cargos, privilégios, concessões, e até a cabeça de algum desafeto. O que muitos líderes parecem desconhecer é que a proposta do reino vai totalmente na contramão de tudo isso. A massa na qual Deus está trabalhando é completamente nova e dispensa qualquer fermento. Por isso, Paulo é tão incisivo ao ordenar: “Lançai fora o fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como sois sem fermento. Pois Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós. Pelo que celebremos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade” (1 Co. 5:7-8). A esposa de Cristo não pode ser teúda e manteúda de Herodes. Mesmo um descomprometido flerte pode invalidar nosso testemunho e nos colocar numa posição constrangedora. Ao aproximar-nos de um segmento, estaremos nos distanciando daquele que lhe faz oposição. Hoje, são adversários. Amanhã, aliados. Meter-se em briga política é como tomar partido por um dos cônjuges quando se divorciam. Se eventualmente retornarem, adivinha quem ficará mal na história? Herodes e Pilatos eram inimigos políticos. Ambos estavam sob a autoridade de César, mas não se bicavam. Querendo livrar-se da responsabilidade de julgar um rabi que gozava de boa popularidade, Pilatos enviou Jesus a Herodes, alegando que, por ser galileu, estava em sua jurisdição. O monarca fantoche de Roma divertiu-se à custa de Jesus. Pediu que lhe fizesse um sinal. Fez-lhe perguntas. Porém, em momento algum Jesus correspondeu às suas expectativas. Não querendo ficar mal com os sacerdotes, nem com o povo, Herodes enviou Jesus de volta a Pilatos. Isso soou para o governador da Judeia como o reconhecimento de sua autoridade. Resultado: “Nesse mesmo dia Pilatos e Herodes tornaram-se amigos” (Lc.23:12). Quantas vezes já não vimos acontecer coisa semelhante no cenário político nacional? Os adversários de hoje, tornam-se aliados amanhã. Quem xingou o outro de ladrão em rede nacional, agora compõe chapa com o mesmo. Alianças esdrúxulas são feitas, minando assim o que restou de credibilidade na classe política. Se ao menos fossem frutos da consciência, seriam mais digeríveis, mas pelo que se constata, são frutos da conveniência. Tão logo passe a oportunidade eleitoreira, voltam a ser o que sempre foram: inimigos. A recente amizade entre Herodes e Pilatos não fez a menor diferença para Jesus que se manteve neutro em todo o tempo. Em momento algum Jesus esfregou Sua popularidade na cara deles, afim de colher algum benefício. Ele bem que poderia ter dito algo do tipo: Vocês viram a multidão gritando meu nome? Tenho capital político para enfrentá-los e derrubá-los. Em vez disso, Ele disse: “O meu reino não é deste mundo, se fosse, os meus servos lutariam para impedir que os judeus me prendessem. Mas agora o meu reino não é daqui” (Jo.18:36). A falta de isenção nos expõe a saias justas como a do profeta Natan, que após incentivar a Davi a dar continuidade ao seu projeto de construção do templo, foi ordenado por Deus a retornar ao palácio para dizer que não seria ele que o edificaria, mas aquele que depois dele viria, isto é, seu filho Salomão (2 Sm.7:1-13). Imagine como deve ter sido difícil para o mesmo profeta chamar a atenção de Davi quando pecou! Natan teve que apelar para uma parábola, em vez de ser direto, curto e grosso (2 Sm.12:1-7). Tudo isso devido ao seu comprometimento. A igreja cristã tem que ser voz profética no mundo, e para tal, usando um português mais claro, não pode ter rabo preso com ninguém. Somente assim, teremos autonomia para dizer o que pensamos. O que for bom, a gente aplaude. O que for ruim, a gente denuncia. Venha de onde vier!

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Onde está Deus quando os desastres naturais acontecem?


Em tempos de desastres naturais tais como terremotos, tsunamis, enchentes e tornados, surgem debates a respeito da relação que Deus tem com esses acontecimentos. Lembro-me dos terremotos no Haiti onde a blogosfera foi tomada por vários “porquês” disso, “porquês” daquilo. E o terremoto do Chile? A mesma ladainha: “onde está Deus que não vê isso?”, “onde está Deus que não vê aquilo?”. Sem falar nos desastres naturais que ocorrem em terras brasileiras como as enchentes no Nordeste, em Santa Catarina e no Rio de Janeiro. Deus é sempre questionado, gerando dúvidas com respeito a seu controle sobre a criação.

Agora a discussão ressurge com os recentes desastres de terremotos e tsunamis no Japão. Além disso, declarações do teísta aberto Ricardo Gondim abalaram a blogosfera com suas declarações antibíblicas e caóticas. Antibíblicas porque vai de encontro ao que a Bíblia fala a respeito do relacionamento de Deus com sua criação, que é uma relação íntima e que mantém controle sobre tudo. Caótica porque suas declarações pregam um conceito de um mundo desordenado, sem controle e desesperançoso a respeito de desastres naturais.

É desesperador saber que nós não temos nenhuma garantia de que o mundo não sucumba numa confusão geral dos elementos da matéria. A desordem é a única e terrível expectativa daqueles que acreditam em um Deus distante da sua criação, ou no mínimo, presente porém incapaz e impotente (ou pelo menos se nega a ser onipotente) em garantir o equilíbrio das ações da natureza.

Qual é mesmo a relação de Deus com sua criação? Existe mesmo um relacionamento ou Ele está divorciado dela? E se há um relacionamento, até que ponto vai esse relacionamento? Há algum controle? São essas as perguntas que irei tentar responder à luz da Bíblia.

A Bíblia desconhece o deus dos teólogos relacionais, cuja teologia nega a onipresença, a onipotência e a onisciência de Deus. A Bíblia fala exaustivamente na existência de um Deus presente em todos os lugares ao mesmo tempo, Poderoso sobre tudo e todos e que tem um conhecimento infinito de todas as suas criações. Deixaremos de lado, por hora, o assunto sobre a Onisciência e a Onipresença e trataremos apenas do ensinamento bíblico do controle que Deus tem sobre sua criação, mas especificamente sobre a matéria inanimada.

Deus tem o controle sobre a matéria inanimada

Respondendo à pergunta do título deste artigo, Deus está bem presente quando os desastres naturais acontecem. Ele não somente está presente, mas administra todos os eventos da matéria inanimada. A matéria, mesmo sendo inanimada (objeto sem vida, sem ânimo), existe para obedecer aos mandamentos e ordens de Deus. Isso é evidenciado já nos primeiros registros bíblicos da revelação divina:


Disse Deus: Haja luz; e houve luz. (...) Disse também Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num só lugar, e apareça a porção seca. E assim se fez. (...) E disse: Produza a terra relva, ervas que dêem semente e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nele, sobre a terra. E assim se fez. (Gn 1.3,9,11).
O que se afirma nos primeiros capítulos de Gênesis é confirmado por toda a Bíblia. Veja a declaração do salmista: “Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo passou a existir” (Sl 33.9).

Quando Deus diz que vai usar dos elementos da natureza para executar sua vontade, Ele está afirmando que tem controle sobre eles e que eles são agentes de Deus na execução da sua vontade. Veja, por exemplo, a autoridade de Deus sobre as águas:


Porque estou para derramar águas em dilúvio sobre a terra para consumir toda carne em que há fôlego de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra perecerá (Gn 6.17).
Se tudo o que Ele fala, se faz, então...


No ano seiscentos da vida de Noé, aos dezessete dias do segundo mês, nesse dia romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as comportas dos céus se abriram, e houve copiosa chuva sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites (Gn 7.11,12).
Deus disse que derramaria água sobre a terra. Ele não apenas ameaçou, mas cumpriu o que disse mostrando que Ele tem o controle sobre a água que só cai em forma de chuva quando e onde Ele quiser.

E o que dizer do controle de Deus sobre as pragas no Egito? Bastou uma única ordem dEle para a luz se transformar em trevas, o rio em sangue, chover granizo, a ação dos gafanhotos, a morte por todo o Egito. Cada detalhe, cada ação da natureza meticulosamente calculada, agindo exatamente numa região delimitada pelo próprio Deus para que essas pragas não chegassem na região onde estava o seu povo. Sim, até mesmo o local da ação das pragas foi claramente delimitada por Deus! Tudo isso demonstra o absoluto controle de Deus sobre os elementos da natureza:


E Moisés estendeu o seu bordão para o céu; o SENHOR deu trovões e chuva de pedras, e fogo desceu sobre a terra; e fez o SENHOR cair chuva de pedras sobre a terra do Egito. De maneira que havia chuva de pedras e fogo misturado com a chuva de pedras tão grave, qual nunca houve em toda a terra do Egito, desde que veio a ser uma nação. Por toda a terra do Egito a chuva de pedras feriu tudo quanto havia no campo, tanto homens como animais; feriu também a chuva de pedras toda planta do campo e quebrou todas as árvores do campo. Somente na terra de Gósen, onde estavam os filhos de Israel, não havia chuva de pedras. (Êx 9.23-26).
Veja também a maravilhosa descrição do total controle de Deus na nona praga:


Então, disse o SENHOR a Moisés: Estende a mão para o céu, e virão trevas sobre a terra do Egito, trevas que se possam apalpar. Estendeu, pois, Moisés a mão para o céu, e houve trevas espessas sobre toda a terra do Egito por três dias; não viram uns aos outros, e ninguém se levantou do seu lugar por três dias; porém todos os filhos de Israel tinham luz nas suas habitações. (Êx 10.21-23).
Temos também a descrição do controle divino sobre o fogo:


Então, fez o SENHOR chover enxofre e fogo, da parte do SENHOR, sobre Sodoma e Gomorra. (Gn 19.24).
Deus ordenou e as águas do mar Vermelho se dividiram ao meio, de modo que os israelitas o atravessaram em terra seca. De novo, Ele ordenou e as águas retrocederam, destruindo os egípcios que perseguiam os israelitas. Com uma palavra da parte dEle, a terra abriu-se e Coré e sua companhia de rebeldes foram engolidos. A fornalha de Nabucodonosor foi aquecida "sete vezes" além de sua temperatura normal, e três dos filhos de Deus foram lançados ali; mas o fogo nem sequer lhes chamuscou as roupas, apesar de ter morto os soldados que os lançaram naquele temível lugar.

O Novo Testamento também testifica do poder de Deus sobre os elementos da criação. Vemos Jesus Cristo acalmando uma tempestade dando ordens ao vento e ao mar:

E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. (Mc 4.39).
Jesus ainda andou sobre o mar. Bastou uma palavra de Jesus e a figueira murchou e ao seu toque as enfermidades fugiam instantaneamente. Jesus demonstrou uma infinita habilidade com os elementos da natureza provando o seu absoluto controle sobre a criação inanimada.

E o que dizer dos corpos celestes? O governo divino sobre eles é igualmente soberano. Hoje sabemos que a terra gira em torno do sol, nos dando as quatro estações e determinando os dias dos anos. Sabemos também que há um movimento que faz a terra girar sobre o seu próprio eixo, nos dando as vinte e quatro horas do dia. Por que estou dizendo isso? Por que há um relato em 2 Reis de Deus retrocedendo a rotação da terra, fazendo com que a sombra no relógio de sol de Acaz retroceda dez graus para trás:


Ezequias disse a Isaías: Qual será o sinal de que o SENHOR me curará e de que, ao terceiro dia, subirei à Casa do SENHOR? Respondeu Isaías: Ser-te-á isto da parte do SENHOR como sinal de que ele cumprirá a palavra que disse: Adiantar-se-á a sombra dez graus ou os retrocederá? Então, disse Ezequias: É fácil que a sombra adiante dez graus; tal, porém, não aconteça; antes, retroceda dez graus. Então, o profeta Isaías clamou ao SENHOR; e fez retroceder dez graus a sombra lançada pelo sol declinante no relógio de Acaz. (2Rs 20.8-11).
Isaías pergunta a Ezequias se ele quer como sinal o adiantamento da sombra do sol. Ezequias responde que esse adiantamento da sombra já era um curso normal. Daí ele pede o mais difícil: que a sombra volte para trás. Que absurdo! O que Ezequias pede é que a terra gire para trás fazendo um movimento ao contrário do que ele já faz. Mas Deus como sendo Soberano sobre os astros celestes que Ele mesmo criou, fez exatamente isso. Pelo seu poder ordenou que a terra girasse no sentido contrário, provocando o retrocesso da sombra no relógio de Acaz.

Esse relato de Deus ordenando um movimento improvável da terra não é único na Bíblia. Há um outro relato onde Deus ordena a terra que simplesmente pare de girar. É isso mesmo. A terra parou de girar por uma ordem de Deus. Veja:

Então, Josué falou ao SENHOR, no dia em que o SENHOR entregou os amorreus nas mãos dos filhos de Israel; e disse na presença dos israelitas: Sol, detém-te em Gibeão, e tu, lua, no vale de Aijalom. E o sol se deteve, e a lua parou até que o povo se vingou de seus inimigos. Não está isto escrito no Livro dos Justos? O sol, pois, se deteve no meio do céu e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro. Não houve dia semelhante a este, nem antes nem depois dele, tendo o SENHOR, assim, atendido à voz de um homem; porque o SENHOR pelejava por Israel (Js 10.12-14).
Josué suplicou ajuda divina no combate contra os amorreus. Provavelmente Josué percebeu que a batalha entraria para a noite, o que dificultaria bastante nessa batalha. Poderíamos achar algo absurdo o que Josué pediu, mas para Deus que controla os astros celestes nada é impossível. O sol e a lua pararam de girar. De acordo com o conhecimento que temos hoje, foi a terra que parou de girar juntamente com a lua.

Há ainda mais um relato impressionante de Deus agindo e controlando os elementos da natureza. Trata-se do seguinte texto:


Disse Gideão a Deus: Se hás de livrar a Israel por meu intermédio, como disseste, eis que eu porei uma porção de lã na eira; se o orvalho estiver somente nela, e seca a terra ao redor, então, conhecerei que hás de livrar Israel por meu intermédio, como disseste. E assim sucedeu, porque, ao outro dia, se levantou de madrugada e, apertando a lã, do orvalho dela espremeu uma taça cheia de água. Disse mais Gideão: Não se acenda contra mim a tua ira, se ainda falar só esta vez; rogo-te que mais esta vez faça eu a prova com a lã; que só a lã esteja seca, e na terra ao redor haja orvalho. E Deus assim o fez naquela noite, pois só a lã estava seca, e sobre a terra ao redor havia orvalho. (Jz 6.36-40).
Gideão queria uma “prova” de que Deus realmente livraria Israel dos midianitas. Gideão teve uma idéia: colocar um pedaço de lã no chão e pedir a Deus que o orvalho da noite caia somente em cima da lã e a terra fique seca. Deus, como tendo o controle da natureza, inclusive do orvalho, fez exatamente isso. Achando pouco, Gideão agora pede para que o orvalho caia por toda a terra e a lã fique seca. E vemos que Deus fez exatamente isso. Isso prova que Deus tem o total controle sobre os elementos da natureza, até mesmo controle do sereno!


Ele envia as suas ordens à terra, e sua palavra corre velozmente; dá a neve como lã e espalha a geada como cinza. Ele arroja o seu gelo em migalhas; quem resiste ao seu frio? Manda a sua palavra e o derrete; faz soprar o vento, e as águas correm. (Sl 147.15-18).
As mudanças nos elementos da natureza estão sujeitas ao controle soberano de Deus. É Deus quem retém a chuva e quem a dá, quando, onde, conforme e sobre quem Lhe apraz. Até mesmo os distúrbios atmosféricos são controlados pelo dedo de Deus.

Além disso, retive de vós a chuva, três meses ainda antes da ceifa; e fiz chover sobre uma cidade e sobre a outra, não; um campo teve chuva, mas o outro, que ficou sem chuva, se secou. Andaram duas ou três cidades, indo a outra cidade para beberem água, mas não se saciaram; contudo, não vos convertestes a mim, disse o SENHOR. Feri-vos com o crestamento e a ferrugem; a multidão das vossas hortas, e das vossas vinhas, e das vossas figueiras, e das vossas oliveiras, devorou-a o gafanhoto; contudo, não vos convertestes a mim, disse o SENHOR. Enviei a peste contra vós outros à maneira do Egito; os vossos jovens, matei-os à espada, e os vossos cavalos, deixei-os levar presos, e o mau cheiro dos vossos arraiais fiz subir aos vossos narizes; contudo, não vos convertestes a mim, disse o SENHOR. (Am 4.7-10).
Diante de tudo isso que vemos nas Escrituras Sagradas, a única conclusão que extraio é: Não! Deus não está ausente da criação. Deus não está longe! Ele está perto. Mas do que isso, Ele tem o controle total e soberano sobre a sua criação, administrando as ações de cada elemento da natureza desde o orvalho até o sol.Deus governa a matéria inanimada. A terra, o ar, o fogo, a água, o granizo, a neve, os ventos, os mares, todos cumprem a palavra do seu poder e executam a sua soberana vontade.

Todo aquele que intentar imaginar que Deus não possui ou que se absteve de possuir controle total das ações da natureza, incorrerá num seríssimo desvio doutrinário e isso tem consequências desastrosas, pois se na teologia de uma pessoa não há espaço para um controle providencial de Deus sobre tudo, sua vida sofrerá as devidas consequências que são a falta de confiança e de esperança em situações de desastres naturais como temos visto no Japão e em tantos outros lugares.

Mesmo em meio de tantas tragédias, o meu coração ainda se acalma no Senhor sabendo que Ele está no controle de tudo e que nada fugirá ao seu controle. Que o deus de Gondim e de tantos outros seja destruído por causa da insuficiência do seu poder e pela inabilidade e impotência de suas mãos, por que o meu Deus, o Deus da Bíblia, esse sim é Poderoso para manejar com suas mãos toda a Sua criação nos dando esperança e confiança de um mundo organizado e controlado.

Autor: Heitor Alves,
Deus ainda fala hoje em dia com as pessoas através de sonhos? Você pergunta:Já têm umas duas semanas que estou sonhando que estou separando do meu marido. Nos últimos sonhos eu ainda quebrava as nossas alianças em pedaços com muita violência. Seria isso um aviso de Deus para minha vida? Deus ainda fala com seus servos através dos sonhos? Cara leitora, o campo dos sonhos é um dos mais misteriosos e fascinantes que existe. No campo da ciência, mesmo os cientistas especialistas em estudos da mente, mais especificamente os que estudam a oneirologia (ciência que estuda os sonhos), divergem em muito a respeito do porque sonhamos e o que esses sonhos significam. Deus ainda fala hoje em dia com as pessoas através dos sonhos? No campo espiritual, os cristãos logo são apresentados na Bíblia Sagrada a diversos personagens que sonharam e que receberam de Deus mensagens e profecias através de seus sonhos. Um Exemplo bíblico clássico do falar de Deus por sonhos foi José do Egito, que sonhou sobre acontecimentos que ocorreriam muitos anos mais tarde em sua vida e da sua família (Gn 37.6-10). Talvez por isso muitos cristãos fiquem desesperados quando têm algum sonho mais estranho, achando logo que Deus está falando algo a eles. Baseado nas dificuldades de compreendermos bem a questão dos sonhos e do falar de Deus através deles, creio que seja necessário que façamos algumas considerações para que possamos ter um pensamento equilibrado a respeito dos sonhos: (1) É bastante claro na Bíblia Sagrada que Deus falou muitas vezes a muitas pessoas através de sonhos (José do Egito, Daniel, Ezequiel, João, etc.). Não vejo na Bíblia qualquer indicativo de que Deus não possa mais falar algo hoje em dia para alguém através de sonhos. É claro que cremos que a revelação de Deus infalível é a Bíblia Sagrada, ou seja, não existem mais sonhos com o “status” de revelação infalível como vemos na Bíblia como, por exemplo, no caso de Daniel (Daniel 7) (2) Deve-se ter em mente que quando Deus falou em sonhos na Bíblia Sagrada foi sempre de forma especifica, com objetivos específicos e através de pessoas escolhidas. Não temos a menção de Deus falando com todo mundo através de todos os sonhos e de forma banalizada. Assim, Deus falar através de sonhos era uma exceção e não uma regra. Não acontecia o tempo todo, mas em situações especiais. (3) Dessa forma, a maioria dos sonhos são apenas criações de nossa mente sem qualquer sentido ligado ao falar de Deus. Nossa mente pode usar nossos medos, estresses, dores, ansiedades, desejos, experiências, traumas, etc. e criar sonhos dos mais diversos (isso a ciência já conseguiu provar). Assim, nem sempre devemos dar muita importância para os sonhos que sonhamos. A maioria deles não tem qualquer ligação com mensagens de Deus ou com acontecimentos proféticos. (4) Na hipótese de você acreditar que Deus possa estar falando algo com você através dos sonhos, creio que o que Ele está “falando” deva estar dentro da revelação maior que é a própria palavra Dele, a Bíblia. O melhor a fazer e refletir e meditar em tudo aquilo que se sonhou, sem desespero. Se conseguir achar algum significado, aplique em sua vida. Se não conseguir, apenas descanse no cuidado de Deus. (5) Existem ainda aqueles sonhos que não fazem o menor sentido. Ou seja, não conseguimos atribuir qualquer significado a eles. Nesse caso, o melhor é não ficar impressionado, mas entregar toda a situação ao Senhor. Isso porque Deus não é um Deus de confusão (1 Co 14.33). Se algo vier Dele para você, seja através de sonhos ou de outra forma, Ele te fará entender aquilo que é para se entender no tempo certo. Não há motivo para entrar em pânico. Descanse em Deus.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio” (Gl 5.22-23).
O Espírito Santo é prático, ajuda-nos a viver um discipulado ativo e é a força que faz nosso conhecimento espiritual se expressar em obras concretas. Ele nos transforma no caráter de Cristo, de quem está escrito: “Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar” (At 1.1). O Senhor Jesus foi, sem dúvida, o maior e mais influente Mestre que já existiu. Seu ensino consistia em primeiro fazer e depois falar,transmitindo oralmente sua lição: “...Jesus começou a fazer e a ensinar”. Isso impressionava os ouvintes e não ficava sem resultados. Não é um perigo constante para nós saber tanto da Bíblia sem apresentar resultados e sem transformar esse conhecimento em atitudes? Muitas vezes sabemos o que é certo mas não o fazemos. Nossos vizinhos, colegas de trabalho ou estudo, nossos parentes ou nossos filhos olham para nós, vêem o que fazemos e ouvem o que dizemos. Será que as palavras que pronunciamos sublinham o que fazemos, ou nossos atos gritam tão alto que ninguém quer ouvir o que temos a dizer?
Como o fruto do Espírito em Gálatas 5.22 tem nove facetas, Provérbios 3 é uma unidade, mas nos apresenta nove regras bem práticas para nossa conduta cristã.

1. Confie em Deus

Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento” (Pv 3.5). As pessoas ao nosso redor vêem em nós alguém que confia em Deus? Alguém que fala com o Senhor em oração e que lança sobre Ele todos os seus fardos e problemas? Alguém que, como Jó, José ou Daniel, sabe aceitar as situações de crise com atitude de confiança, que não desanima e não deixa sua fé vacilar? Viver uma vida confiante e provar que realmente se confia em Deus causa uma impressão muito mais profunda do que apenas falar em confiança e esperar essa postura dos outros.
"Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento” (Pv 3.5).
A razão desempenha um papel importante na vida espiritual e não deveria ser desligada. Às vezes, porém, ela pode interpor-se no caminho se não estiver sob o domínio do Espírito de Jesus. “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Fp 4.7). “...levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2 Co 10.5).
Duvidar do que Deus faz e questionar Sua Palavra não ajudam em nada nosso avanço na fé. Somente quem confia e crê que Deus sabe o que faz e que Ele sempre faz tudo da maneira correta manterá a paz do Senhor em seu coração. O Espírito Santo quer nos assistir na hora de colocar em prática essa confiança irrestrita em Deus.
Alguém disse: “Coisas que nos confundem, situações para as quais não temos nenhuma solução têm um alvo bem definido: são parte do quebra-cabeça da nossa vida. Deus sabe onde se encaixa cada peça. Obviamente gostaríamos de ver o jogo acabado, mas enquanto vivermos ele não estará terminado. É por isso que entendemos tão pouco a Deus. Parece que todos os dias olhamos para o que Suas mãos estão fazendo, mas vemos apenas as partes que Ele move, uma vez que aqui na terra jamais veremos o quebra-cabeça finalizado”. Isso exige confiança!

2. Estabeleça prioridades espirituais

Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas” (Pv 3.6). A palavra “reconhecer” significa que devemos colocar o Senhor acima de tudo, no sentido de: “pense em Deus em tudo o que você fizer”, “deixe que o Senhor sempre seja a motivação para tudo o que você faz”, “busque em primeiro lugar o reino de Deus”. Se buscamos a vontade de Deus em tudo o que fizermos, o Senhor nos permitirá reconhecer Sua direção, ainda que não de imediato.
Em que áreas de nossa vida não queremos ou não deixamos que Deus interfira ou dê Sua opinião? Geralmente essas são as áreas que nos causam os maiores problemas. Se envolvermos o Senhor Jesus em tudo o que fizermos, Ele nos conduzirá de forma a que Sua vontade seja feita, e certamente não sairemos prejudicados em nada.

3. Seja espiritualmente saudável

Não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal; será isto saúde para o teu corpo e refrigério, para os teus ossos” (Pv 3.7-8). “Ler é para o espírito o que a ginástica é para o corpo”, já dizia Joseph Eddison, escritor inglês do século 18. Isso vale ainda mais para a leitura da Bíblia. Ler e estudar a Palavra de Deus fazem para a alma o que o esporte e a ginástica fazem pelo corpo. Já que alma e o corpo estão em uma relação íntima, a saúde espiritual muitas vezes também se reflete no corpo físico. Quando a alma adoece, o corpo adoece também, e vice-versa. O apóstolo João escreve acerca dessa ligação entre corpo e alma: “Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde,assim como é próspera a tua alma” (3 Jo 2).
Na Medicina sabe-se hoje que pressões emocionais como estresse, pecado, raiva, preocupação ou falta de perdão podem causar doenças físicas, e que em sentido inverso, a cura dos conflitos emocionais pode contribuir para a cura do corpo. Isso obviamente não quer dizer que pessoas felizes e espiritualmente saudáveis não fiquem doentes. Outros fatores também desempenham seu papel, como os genes, o ambiente, acidentes, contágio, etc.
Mas o que está se confirmando cientificamente e é cada vez mais pesquisado em termos de saúde é o que a Bíblia já nos ensina há muito tempo. Ter paz com Deus e segui-lO de todo o coração é melhor do que “espertos” conselhos humanos acerca de aptidão física com que nos defrontamos diariamente e que movem um mercado milionário. “Não sejas sábio aos teus próprios olhos”.
Tanto dinheiro é gasto com vitaminas, suplementos alimentares, dietas e terapias. Nem sempre isso é necessariamente mau, mas podemos nos perguntar se uma vida no temor de Deus não traria proveito maior para o corpo, a alma e o espírito. Nesse contexto gostaria de citar a Romanos 12.1-2: “Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (NVI).
Provérbios 4.22 diz acerca dos ensinamentos de Deus: “Porque são vida para quem os acha e saúde, para o corpo”. E Paulo escreve: “Pois o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser” (1 Tm 4.8).

4. Lide espiritualmente com as coisas materiais

Honra ao Senhor com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda” (Pv 3.9). Martim Lutero teria dito: “Segurei muitas coisas com as mãos e perdi todas elas. Mas ainda possuo tudo que depositei nas mãos de Deus!”.
“Honra ao Senhor com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda” (Pv 3.9).
Provavelmente não existe nada melhor para se reconhecer o que domina numa vida do que a maneira de lidar com suas posses. É o Espírito Santo quem manda, ou é a carne? É o Espírito ou a avareza? É dar ou receber? É doar ou manter? São as primícias ou o restolho? Paulo descreve muito bem como se manifesta a direção do Espírito em coisas materiais no testemunho que dá acerca das igrejas da Macedônia (das quais fazia parte também a igreja de Tessalônica), dizendo que os crentes de lá deram até “acima de suas posses” “não somente fizeram como nós esperávamos, mas também deram-se a si mesmos...” (veja 2 Co 8.1-8).
Os tessalonicenses tinham se convertido radicalmente a Jesus Cristo. Paulo diz que seu testemunho era bem conhecido e todos sabiam que eles haviam se convertido dos ídolos para se voltar para Deus e para servi-lO, e que viviam na expectativa da volta do Senhor (1 Ts 1.9-10). Bem se vê que dessa grande virada fazia parte a conversão de suas carteiras, uma vez que a avareza também é idolatria (Cl 3.5).
William MacDonald escreve acerca do comportamento de muitos cristãos de hoje: “Admitindo que uma piedosa busca pelo lucro tenha a ver com a bênção de Deus, nos rebaixamos a ponto de adorar o dinheiro”.[1] Randy Alcorn traz um exemplo muito impressionante do quanto são passageiras as coisas que muitas vezes nos custam tanto dinheiro:
Como podemos transmitir a nossos filhos de forma direta e convincente todo o vazio do materialismo? Tente levá-los a uma excursão por um ferro-velho ou a um aterro sanitário. Isso pode se tornar um verdadeiro evento familiar. (As filas são menores do que nos parques de diversões, a entrada é franca e os meninos adoram!) Mostre-lhes todas as montanhas de “preciosidades” que um dia foram presentes de Natal ou de aniversário. Mostre coisas que custaram centenas de reais, coisas pelas quais seus filhos brigaram, coisas que destruíram amizades, que sacrificaram a honestidade e fizeram casamentos desmoronar. Mostre a eles a miscelânea de braços e pernas e restos de bonecas, robôs enferrujados e aparelhos elétricos jogados fora depois de uma breve vida útil. Mostre-lhes que a maioria das coisas que uma família possui, cedo ou tarde, acabará num lixão igual a esse. Leia 2 Pedro 3.10-14 onde está escrito que tudo se queimará no fogo. E então faça a impressionante pergunta: “Se tudo o que possuímos acaba jogado aqui, inútil e estragado, o que podemos adquirir que permaneça por toda a eternidade?”.[2]
Outra pessoa se expressou assim: “Todo bem material pode ser transformado em um tesouro que dura para sempre porque tudo o que dermos a Cristo se torna eterno”. Talvez pouparíamos muito dinheiro na oficina mecânica, na reforma da casa ou em outras despesas, se seguíssemos a regra de buscar em primeiro lugar o reino de Deus e a Sua justiça. Dar é melhor que receber, diz a Bíblia, e essa máxima continua plenamente válida.

5. Aceite a disciplina

"Filho meu, não rejeites a disciplina do Senhor, nem te enfades da sua repreensão. Porque o Senhor repreende a quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer bem"
(Pv 3.11-12).
Filho meu, não rejeites a disciplina do Senhor, nem te enfades da sua repreensão. Porque o Senhor repreende a quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer bem” (Pv 3.11-12). Esses versículos também são mencionados em Hebreus 12.5ss. e Apocalipse 3.19, sempre em imediata relação com o amor do Pai celestial. Disciplina e repreensão podem servir a propósitos diversos.
A disciplina divina pode ser uma medida para levar as pessoas a se converter a Jesus. Muitas só percebem que precisam de Deus e se abrem para Ele quando estão em apuros.
Disciplina também pode ser uma medida contra o pecado, para corrigir um filho de Deus, para conduzi-lo ao arrependimento e protegê-lo de cair.
Existe a possibilidade de o Senhor fazer uso do recurso da disciplina ou da advertência para que a graça de Deus se manifeste ainda mais abundantemente. Isso aconteceu com o apóstolo Paulo em 2 Coríntios 12.7ss., onde vemos que ele foi protegido da soberba, sofrendo para que se mantivesse humilde. Deus se agradava de Paulo e queria mantê-lo nessa condição; para tanto, usou do recurso de permitir coisas desagradáveis em sua vida.
Não devemos colocar a disciplina e a admoestação sempre no mesmo nível do castigo e da ira de Deus que nos açoita. O texto acima não diz que Deus disciplina alguém de quem Ele não se agrada, mas é justamente o contrário que acontece: Ele disciplina o filho a quem quer bem. Nesse tipo de disciplina, o que está em ação é a pedagogia amorosa do Pai celestial perfeito, é a correção prática para nos manter no caminho e para nos levar adiante, já que Ele tem um alvo maravilhoso preparado para nós.

6. Seja prudente

Filho meu, não se apartem estas coisas dos teus olhos; guarda a sabedoria e o bom siso” (Pv 3.21). Com esse conselho espiritual, Salomão tinha em mente o que acabara de dizer. Ele havia falado da preciosidade da sabedoria divina. Por Sua sabedoria Deus criou e manteve os céus (vv.13-20). Assim, a sabedoria divina está subjacente a todas as coisas da vida – incluindo a salvação por Jesus Cristo, como já sabemos. Portanto, somente nos resta uma conclusão: a sabedoria divina, que vem de Sua Palavra e é inspirada pelo Espírito Santo, é a melhor sabedoria que alguém pode alcançar e que deveria almejar antes de qualquer outra coisa.
Mais do que nunca, são necessárias pessoas aptas a dar bons conselhos, que com tato e amor tomem os outros pela mão para conduzi-los a Jesus e à vida eterna.
Deus tornou louca a sabedoria deste mundo porque ela está voltada apenas para o aqui e agora e não para a eternidade. Em contrapartida, Deus faz uso da “loucura da pregação” para salvar os homens (veja 1 Co 1.20-21). O Santo Espírito de Deus mostra que mesmo a “loucura” de Deus (que na realidade não existe) ainda é muito superior à sabedoria deste mundo. Nós, cristãos, não devemos nunca perder de vista essa perspectiva, especialmente diante das milhares de opções que o mundo nos oferece. A supremacia e a superioridade da sabedoria divina deveriam nos nortear sempre.
Um conhecido psicanalista, psicoterapeuta e médico disse: “Em mais de mil horas de análise, com a ajuda do analista, tentei me transformar e me realizar... Meu alvo principal – conseguir amar profundamente, de verdade – não foi tocado nem de leve. Somente quando me abri para o amor de Deus senti que me tornei capaz de amar de forma desapegada” (Dr. Markus Bourquin).

7. Seja generoso

Devemos ajudar a quem realmente precisa. Não devemos dar sem razão, mas fornecer suporte efetivo para quem de fato necessita.
Não te furtes a fazer o bem a quem de direito, estando na tua mão o poder de fazê-lo. Não digas ao teu próximo: Vai e volta amanhã; então, to darei, se o tens agora contigo” (Pv 3.27-28). Isso nos lembra das palavras de Jesus: “Dá a todo o que te pede; e, se alguém levar o que é teu, não entres em demanda” (Lc 6.30).
Uma das mais gratas lembranças que tenho de Wim Malgo, o fundador da nossa missão, era sua generosidade e sua alegria em dar e ajudar. Onde ele via alguma necessidade, reagia prontamente e ajudava, e o Senhor o abençoou muito.
Vez por outra ouve-se dizer que é tolice emprestar alguma coisa para um pobre, já que ele não poderá devolver o empréstimo. A Bíblia nos ensina que devemos contar com essa possibilidade, e ajudar mesmo assim. Pois segundo os versículos 27 e 28, três coisas devem ser observadas:
Não te furtes a fazer o bem a quem de direito...” Devemos ajudar a quem realmente precisa. Não devemos dar sem razão, mas fornecer suporte efetivo para quem de fato necessita.
...estando na tua mão o poder de fazê-lo.” Devemos ajudar de forma a manter a visão do todo e na medida do que podemos suportar materialmente. Não faz sentido servir de fiador ou doar tanto a alguém ou a alguma organização a ponto de nós mesmos ficarmos necessitados. Não é correto emprestar e depois pedir emprestado.
Não digas ao teu próximo: Vai e volta amanhã; então, to darei, se o tens agora contigo.”Onde podemos ajudar, deveríamos fazê-lo logo e não deixar nosso próximo esperando pelo cumprimento da nossa promessa. Ajuda não deve ser negada nem protelada com desculpas piedosas (veja Tg 2.15-16).

8. Seja sincero

Não maquines o mal contra o teu próximo, pois habita junto de ti confiadamente. Jamais pleiteies com alguém sem razão, se te não houver feito mal” (Pv 3.29-30). Esse conselho é especialmente significativo na convivência familiar, por exemplo no casamento, com os pais, os sogros, os parentes que moram na mesma casa. Perfídia, inveja, intriga, fofoca, acusação... tudo isso repugna ao Espírito Santo. Obviamente essa regra espiritual também se aplica à convivência na comunhão da igreja. O Novo Testamento diz: “Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Rm 12.18).

9. Tenha discernimento

Se um pedaço de ferro pudesse falar, o que diria? Ele diria: ‘Eu sou escuro, eu sou frio, eu sou duro’. Bem verdade! Mas coloque esse pedaço de ferro no fogo e espere um pouco, até que o fogo tenha demonstrado seu poder. O que ele diria agora? A escuridão se foi, o frio se foi, a dureza se foi, o ferro passou por uma transformação.
Muitos cristãos admiram o sucesso dos que o conseguiram por meios ilícitos ou duvidosos, invejam suas conquistas, sua influência e seu reconhecimento. Também olham para personalidades duvidosas do mundo do cinema ou da música e desejam um naco de sua “sorte”. Nos filmes e na televisão, essas celebridades são heróis, mas vivem cometendo adultério, trocando de parceiro, praticando violência, enganado os outros ou falando contra Deus.
William MacDonald escreve: “Nos tornamos vítimas entusiasmadas de programas televisivos imbecis ... De bom grado permitimos ser ‘prensados dentro do formato deste mundo’ (Rm 12.2), assumimos sua maneira de falar, de se divertir e de pensar”.[1] Não deveríamos admirar a prosperidade daqueles que não buscam um relacionamento com o Senhor Jesus,“porque o Senhor abomina o perverso” (v.32) e “as más conversas corrompem os bons costumes” (1 Co 15.33; veja também Fp 3.18-19).
Lemos sobre os nove aspectos do fruto do Espírito: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito. Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros” (Gl 5.22-26).
Muitos podem estar se perguntando como se transforma isso em prática de vida. C.H. Spurgeon nos fornece uma boa diretriz nesse sentido:
Se um pedaço de ferro pudesse falar, o que diria? Ele diria: ‘Eu sou escuro, eu sou frio, eu sou duro’. Bem verdade! Mas coloque esse pedaço de ferro no fogo e espere um pouco, até que o fogo tenha demonstrado seu poder. O que ele diria agora? A escuridão se foi, o frio se foi, a dureza se foi, o ferro passou por uma transformação. Mas se esse pedaço de ferro pudesse falar, com certeza não iria louvar a si mesmo, uma vez que ferro e fogo são duas coisas bem distintas. Se ele pusesse se gloriar, iria se gloriar do fogo, que o transformou em um material bem diferente. – Assim, em mim mesmo eu sou escuro, frio e duro; mas quando o Senhor toma posse de minha alma, quando Seu Espírito penetra em meu coração e fico repleto do Seu amor, então vai embora tudo que é tenebroso, toda a dureza e toda a frieza, e mesmo assim a honra não cabe a mim, mas ao Senhor que fez a obra.
Quem se entrega incondicionalmente ao Senhor experimentará transformação. (Norbert Lieth 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013


A Assombrosa Cegueira da Sabedoria Mundana


"O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo a prudência." [Provérbios 9:10].

         Na semana passada um artigo no jornal chamou minha atenção e, após ler, fiquei novamente admirado com aquilo que caracterizo como "ignorância instruída". Um novo estudo sobre a prática do ensino e da promoção da auto-estima em nossas escolas chegou à conclusão que eles obtêm pouquíssimos resultados. Na verdade, quando os pesquisadores entrevistaram presidiários, constataram que, em sua maioria, eles na verdade eram narcisistas e estavam bem satisfeitos consigo mesmos! Logicamente, isso vai contra a posição há muito tempo assumida que a baixa auto-estima é que leva a uma vida de frustração, à falta de realizações e, então, como conseqüência, ao comportamento criminoso. Os pesquisadores descobriram que aqueles indivíduos com elevada auto-estima são muito mais propensos a responder com agressão contra qualquer um que se atreva a criticá-los. O artigo também dizia que neonazistas e os valentões nas ruas e nas escolas — típicos de grupos que combinam extrema auto-estima com violência — demonstram amplamente o fato que uma (a auto-estima) não reduz a outra (a violência). O mais trágico sobre tudo é que, junto com muitas outras concepções errôneas sobre o comportamento humano, isso pode ser esclarecido por um estudo cuidadoso da Palavra de Deus — a Bíblia cristã. As Escrituras ensinam que o homem é uma criatura caída, egoísta e depravada bem no íntimo de seu ser. Ele está afastado de Deus por causa de sua natureza pecaminosa, que foi herdada do primeiro homem, Adão, a cabeça federal de toda a humanidade. Em seu estado, o homem está espiritualmente morto em ofensas e pecados (Efésios 2:1), é um escravo de Satanás (Efésios 2:2), é incapaz de compreender aquilo que se discerne espiritualmente (1 Coríntios 2:14) e não buscará a Deus (Romanos 3:11).
         A sociedade em geral continua em sua incapacidade de reconhecer que toda a humanidade, por natureza, tem auto-estima demais! Amamos a nós mesmos e esse princípio fundamental é revelado pela tendência universal de "procurar ser o número um". O egoísmo é inerente e não é um comportamento aprendido. A maioria de nós passa muitos anos tentando crescer e "jogar limpo" com os outros, em uma tentativa de superar nossos instintos mais básicos. Essa característica pecaminosa e desonrosa é um fato tão óbvio de nossa existência, que parece razoável concluir que todos deveriam estar cientes dela. Mas, a julgar pelo fluxo contínuo de pronunciamentos mal-orientados que saem da boca dos"especialistas", é óbvio que esse não é o caso!
         Outro exemplo dessa falta de lógica foi demonstrada quando John Stossel, um repórter do programa "20/20" da rede de televisão ABC admitiu que sempre tinha acreditado naquilo que lhe foi ensinado sobre os fatos que contribuem para as diferenças no comportamento de meninos e meninas. Há anos que os cientistas do comportamento insistem que essas diferenças são moldadas estritamente pelos fatores ambientais e que os arquétipos têm um grande papel no processo. Em outras palavras, eles acreditam que o comportamento agressivo dos meninos e a delicadeza das meninas são aprendidos. Porém, incontáveis gerações de pais poderiam ter poupado o tempo, o trabalho e os gastos que esses cientistas tiveram com suas pesquisas — pois há muito tempo já concluíram por meio do bom senso e da observação pessoal que esses comportamentos são puramente genéticos! A admissão de Stossel ocorreu durante uma reportagem sobre os resultados de um extenso estudo que provava conclusivamente que a teoria estava errada. Você pode acreditar nisso? — Outro fato "científico" come poeira! Mas acredito que o maior exemplo de má "ciência" é a Teoria da Evolução no que se aplica à origem das espécies. Muitos homens sinceros da ciência dizem enfaticamente que a humanidade (e tudo o mais) evoluiu a partir de basicamente nada para alguma coisa e que isso aconteceu ao longo de uma série de processos aleatórios que ocorreram ao longo de milhões de anos. Eles insistem que isso não é mais uma teoria, ou uma hipótese, mas um fato científico. Como um número muito grande de cientistas respeitáveis apóia essa visão, há muitos anos ela é ensinada nas escolas. Os criacionistas são alvos de zombaria por causa de suas crenças e sua posição é rejeitada por ser uma questão de fé, não da ciência. Mas a Evolução é a única explicação aceita por aqueles que negam a existência de Deus e os atos da criação — especialmente por que eles não têm uma resposta sólida, factual e inegável sobre a origem de toda a matéria. É uma questão de admitir que Deus criou a partir do nada ou agarrar-se à única alternativa.
         Em vez de entrar em um longo argumento contra a Evolução, o que está fora da abrangência deste artigo, queremos meramente destacar a extrema fé que é necessária para alguém adotar essa posição! A probabilidade de os processos aleatórios produzirem a vida (ou "alguma coisa" que a ciência ainda não pode explicar) é infinitesimal. Ela é literalmente indefinível e contraria qualquer senso comum. Porém, indivíduos que em tudo o mais são inteligentes e sensatos agarram-se tenazmente a essa fé e somos ofendidos quando nos atrevemos a questionar a validade dela.
         Se a evolução é realmente um fato científico, eles não devem ter problemas algum em provar e satisfazer o painel de cientistas reunidos pelo Dr. Hovind. O fato absoluto sempre se sobrepõe ao viés pessoal e tenho certeza que esses homens e mulheres são pessoas íntegras. Uma vez que eles autenticarem os dados, o Dr. Hovind fará o pagamento! Assim, para aqueles que podem provar que a Evolução é um fato, aqui está sua chance de ganhar um bom dinheiro e silenciar todos nós, os ignorantes e pouco sofisticados jecas cristãos.
        Os dicionários definem sabedoria de vários modos — aprendizado, erudição e até mesmo bom senso estão incluídos, mas prefiro a definição de um pastor amigo meu. Ele diz que sabedoria, como a encontramos expressa na Bíblia, é "ver as coisas do modo como Deus as vê". É esse maravilhoso bem que a Palavra de Deus nos exorta continuamente a adquirir na maior quantidade possível. O livro de Provérbios contém várias dessas exortações:
 
"O sábio ouvirá e crescerá em conhecimento, e o entendido adquirirá sábios conselhos." [Provérbios 1:5].

"O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo a prudência." [Provérbios 9:10].

"Porque o SENHOR dá a sabedoria; da sua boca é que vem o conhecimento e o entendimento. Ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos. Escudo é para os que caminham na sinceridade, para que guardem as veredas do juízo. Ele preservará o caminho dos seus santos." [Provérbios 2:6-8].

"Pois quando a sabedoria entrar no teu coração, e o conhecimento for agradável à tua alma, o bom siso te guardará e a inteligência te conservará." [Provérbios 2:10-11].
"Adquire sabedoria, adquire inteligência, e não te esqueças nem te apartes das palavras da minha boca." [Provérbios 4:5].

"A sabedoria é a coisa principal; adquire pois a sabedoria, emprega tudo o que possues na aquisição de entendimento." [Provérbios 4:7].

"Quão melhor é adquirir a sabedoria do que o ouro! e quão mais excelente é adquirir a prudência do que a prata!" [Provérbios 16:16].

         A partir desses versos, deve estar claro para nós que a verdadeira sabedoria envolve o uso correto do conhecimento. Mas o provérbio mais contundente de todos é sobre aqueles que buscam conhecimento meramente para fins educacionais e não se preocupam em usá-lo sabiamente — como vemos no seguinte:
 
"De que serviria o preço na mão do tolo para comprar sabedoria, visto que não tem entendimento?" [Provérbios 17:16].

         Alguém já disse que você pode pegar um tolo e educá-lo, mas tudo o que consegue obter com seus esforços é um tolo educado! Adolf Hitler vivia cercado de homens bem instruídos — vários deles tinham diplomas em cursos avançados — mas a história provou que todos eles juntos não possuíam senso comum suficiente para se igualar a um idiota mediano! Grande conhecimento sem a necessária sabedoria para usá-lo apropriadamente é uma maldição, não uma vantagem. A sabedoria humana deriva conclusões sem levar Deus em conta e, portanto, está condenada à eventual exposição como uma total inutilidade na melhor das hipóteses, e destrutiva, na pior. O "Terceiro Reich", de Hitler fez um grande estardalhaço no cenário internacional, mas sua destruição arrastou milhões de pessoas com ele — a maioria das quais foi enganada pela fé colocada em seus líderes saturados pelo ocultismo.
         Há muito tempo que um verso das Escrituras, encontrado em 1 Timóteo 6:20 me deixa intrigado:
 
"Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado, tendo horror aos clamores vãos e profanos e às oposições da falsamente chamada ciência." [1 Timóteo 6.20].

         É uma tendência natural para as pessoas respeitarem e seguirem aqueles que exibem aquilo que é visto como gênio intelectual e uma capacidade inata de liderança. Muitos de nós não foram abençoados com uma inteligência muito acima da média, de modo que gravitamos em torno daqueles que aparentemente possuem uma inteligência superior, dependendo deles para serem nossos líderes. Mas essa característica obviamente apresenta possibilidades perigosas e homens sem escrúpulos continuam a tirar proveito dela, causando muito sofrimento para a humanidade.
         A palavra grega traduzida como "conhecimento" no verso acima (1 Timóteo 6:10) é gnosis e é a palavra-raiz para "gnosticismo" — de acordo com a Bíblia, a crença errônea que a pessoa pode obter a vida espiritual por meio da busca do conhecimento. Ela é tão velha quanto o homem e, ao longo dos séculos, assumiu muitas formas, mas independente do nome atrás do qual ela esteja escondida, permanece sendo um veneno espiritual mortal para aqueles que são enlaçados por ela. A verdadeira iluminação espiritual não pode ser obtida por meio da investigação pessoal e do conhecimento adquirido. Essa mentira foi promovida primeiro por Satanás (surpresa, surpresa!!) em Gênesis 3:5 quando ele disse a Eva que comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal abriria seus olhos e ela seria"como deus". Mesmo no estado puro e perfeito em que vivia naquele tempo, Eva foi estimulada pela possibilidade de conhecer alguma coisa que estava proibida para ela. Satanás apertou exatamente o botão correto e, como um resultado direto da subseqüente desobediência de Eva, os homens pecadores têm desejado e ido atrás exatamente da mesma ilusão desde aquele dia até hoje. Os Illuminati, ou "os iluminados" são o ápice da pirâmide organizacional da Maçonaria e da Sociedade Rosa-Cruz e a religião deles é o gnosticismo.
         Daniel 12:4 diz:
 
"E tu, Daniel, encerra estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e o conhecimento se multiplicará."  Daniel 12.4

         Vários autores já observaram que estamos no meio de uma explosão do conhecimento e, com o advento do computador, o conhecimento científico tornou-se exponencial — ele literalmente dobra de tamanho em um período cada vez menor. Acredita-se que existam mais cientistas vivos hoje do que o total de todos os que já viveram no passado! Verdadeiramente, estamos vivendo em um tempo quando o conhecimento — a compilação das informações factuais — está cumprindo a profecia de Daniel. Mas, ao mesmo tempo, precisamos considerar cuidadosamente outro fenômeno que está se tornando um problema cada vez maior para a sociedade. A massacrante inundação de informações resultou no que está sendo chamado de "sobrecarga da informação" e, aparentemente, devido a todos os novos fatos e números a considerar, pronunciamentos estão sendo feitos que afetam grandemente as pessoas. Uma boa ilustração disso encontra-se no campo da medicina. Diziam que farelo de aveia era bom para reduzir o colesterol e milhões de pessoas correram para comprar um novo sucrilho para o café da manhã, porém mais tarde outro estudo contradisse essa idéia. Os remédios são aprovados somente para serem removidos do mercado após terem causado um "número inaceitável" de mortes. Vários procedimentos cirúrgicos são alternativamente elogiados e depois condenados. As questões monetárias estão basicamente dirigindo todo o negócio e a riqueza de novas informações está complicando a competição entre os grupos rivais. O público fica no meio do tiroteio, sem saber se deve comer farelo de aveia ou tomar a última pílula anunciada na televisão. Mas o simples fato que as opiniões das pessoas mudam de lado a cada novo acontecimento deve nos dizer alguma coisa! A percepção dos especialistas — sejam na medicina ou na política — é uma ferramenta poderosa nas mãos de qualquer pessoa que esteja determinada a fazer mau uso dela.
         Para que possamos resistir ao mal e às forças extremamente poderosas que estão trabalhando contra a sociedade, precisamos obter a sabedoria do alto.
 
"Na verdade é inútil estender-se a rede ante os olhos de qualquer ave." 

         Em outras palavras, até os pássaros têm bom senso o suficiente para evitar uma rede quando eles a vêem sendo armada! Não devemos nós ter bom senso suficiente para manter nossos olhos abertos e observar as coisas que a Bíblia diz que estão para acontecer?
         Como acredito é o caso com a maioria das pessoas, respeito grandemente aqueles que usam a educação sabiamente em vez de permitir que ela os use. Mas preciso confessar ter uma atitude realmente ruim no que se refere à estupidez 'progressista' disfarçada de conhecimento. A conclusão ridícula que fatores ambientais determinam a diferenças entre meninos e meninas é um caso em vista. Quando pode alguém em sã consciência apresentar essa idéia de jumento, quando o bom senso e a observação claramente dizem o contrário? Muito freqüentemente esse tipo de coisa começa, como David Bay diz com relação à manipulação da opinião pública, quando um "especialista" respeitável pontifica sobre um assunto e as massas aceitam aquilo como verdade e sem questionar. A atitude "é assim porque o professor fulano de tal diz que é", é a maldição da academia! A não ser que os assuntos sejam minuciosamente dissecados e a capacidade de chegar à conclusões sábias transmitidas — o professor não ensinou de verdade. Meramente compilar o conhecimento por meio da memorização por repetição e aplicar testes não é educar. Obter informações específicas é agora mais fácil do que no passado, mas encontrar quem possua sabedoria e possa pensar "fora do caixote" está se tornando cada vez mais difícil por um sistema educacional controlado pelo governo, que está inclinado o promover a mediocridade por meio da uniformização.
        Como Provérbios 1:7 diz:
 
"O temor do SENHOR é o princípio do conhecimento..."  Provérbios 1.7
        Provérbios 9:10 então completa o pré-requisito para a verdadeira educação dizendo:
 
"O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo a prudência."  Provérbios 9.10
         Conhecimento sem sabedoria para usá-lo corretamente é perigoso. Quando o governo dos EUA virou suas costas para Deus ao proibir que a Bíblia fosse ensinada nas escolas públicas, colocou o último prego no caixão e tocou o sino da morte para a educação no que se refere às massas. Milhões de estudantes perfeitamente inteligentes estão sendo submetidos a um currículo tortuosamente projetado para moldar seu pensamento, em vez de ensiná-los a pensar. O cientista russo Pavlov provou a validade do reflexo condicionado com suas experiências com cães. Um sino tocava cada vez que os cães eram alimentados, com a intenção de fazê-los associar o sino com a comida. Após um período de tempo, os cães começavam a salivar esperando a comida sempre que o sino soava — mesmo que não fossem alimentados depois. Hoje, nossos jovens estão sendo doutrinados, em vez de serem educados, e isso não é nada menos que reflexo condicionado. Uma ênfase desproporcional em habilidades sociais (incluindo o incessante mantra "sinta-se bem consigo mesmo"), questões ambientais extremistas e uma cosmovisão em que a soberania nacional é abolida"para o bem de todos os envolvidos" há muito tempo substituiu o ensino acadêmico em termos de importância relativa. Matérias que antes eram obrigatórias agora são ignoradas. Geografia, por exemplo, é raramente ensinada e os testes mostram que alunos de faculdade são em geral tão ignorantes a respeito do assunto que não conseguem associar cidades com países, muito menos localizá-los em um mapa! As capacidades de expressão verbal e de se comunicar pela forma escrita estão no nível mais baixo de todos os tempos — provando para qualquer pessoa com discernimento que alguma coisa está terrivelmente errada. O desenvolvimento intelectual dos líderes de amanhã está obviamente sendo limitado para garantir o nível adequado de docilidade e facilitar a manipulação quando tudo for virado de cabeça para baixo na Nova Ordem Mundial do Anticristo.


quinta-feira, 22 de novembro de 2012


Alimentando as Ovelhas ou Divertindo os Bodes


         Existe um mal entre os que professam pertencer aos arraiais de Cristo, um mal tão grosseiro em sua imprudência, que a maioria dos que possuem pouca visão espiritual dificilmente deixará de perceber. Durante as últimas décadas, esse mal tem se desenvolvido em proporções anormais. Tem agido como o fermento, até que toda a massa fique levedada. O diabo raramente criou algo mais perspicaz do que sugerir à igreja que sua missão consiste em prover entretenimento para as pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo.
         A igreja abandonou a pregação ousada; em seguida, ela gradualmente amenizou seu testemunho; depois, passou a aceitar e justificar as frivolidades que estavam em voga no mundo, e no passo seguinte, começou a tolerá-las em suas fronteiras; agora, a igreja as adotou sob o pretexto de ganhar as multidões.
         Minha primeira contenção é esta: as Escrituras não afirmam, em nenhuma de suas passagens, que prover entretenimento para as pessoas é uma função da igreja. Se esta é uma obra cristã, por que o Senhor Jesus não falou sobre ela?
 
"Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura" (Mc 16.15)
        isso é bastante claro. Se Ele tivesse acrescentado: "E oferecei entretenimento para aqueles que não gostam do evangelho", assim teria acontecido. No entanto, tais palavras não se encontram na Bíblia. Sequer ocorreram à mente do Senhor Jesus. E mais:
 
"Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres" (Ef 4.11).
       Onde aparecem nesse versículo os que providenciariam entretenimento? O Espírito Santo silenciou a respeito deles. Os profetas foram perseguidos porque divertiam as pessoas ou porque recusavam-se a fazê-lo? Os concertos de música não têm um rol de mártires. Novamente, prover entretenimento está em direto antagonismo ao ensino e à vida de Cristo e de seus apóstolos.
         Qual era a atitude da igreja em relação ao mundo? "Vós sois o sal", não o "docinho", algo que o mundo desprezará. Pungente e curta foi a afirmação de nosso Senhor:
 
"Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos" (Lucas 9.60).
        Ele estava falando com terrível seriedade! Se Cristo houvesse introduzido mais elementos brilhantes e agradáveis em seu ministério, teria sido mais popular em seus resultados, porque seus ensinos eram perscrutadores. Não O vejo dizendo: "Pedro, vá atrás do povo e diga-lhe que teremos um culto diferente amanhã, algo atraente e breve, com pouca pregação. Teremos uma noite agradável para as pessoas. Diga-lhes que com certeza realizaremos esse tipo de culto. Vá logo, Pedro, temos de ganhar as pessoas de alguma maneira!" Jesus teve compaixão dos pecadores, lamentou e chorou por eles, mas nunca procurou diverti-los. Em vão, pesquisaremos as cartas do Novo Testamento a fim de encontrar qualquer indício de um evangelho de entretenimento. A mensagem das cartas é: "Retirai-vos, separai-vos e purificai-vos!" Qualquer coisa que tinha a aparência de brincadeira evidentemente foi deixado fora das cartas. Os apóstolos tinham confiança irrestrita no evangelho e não utilizavam outros instrumentos.
         Eles não pararam de pregar a Cristo, por isso não tinham tempo para arranjar entretenimento para seus ouvintes. Espalhados por causa da perseguição, foram a muitos lugares pregando o evangelho. Eles "transtornaram o mundo". Essa é a única diferença! Senhor, limpe a igreja de todo o lixo e baboseira que o diabo impôs sobre ela e traga-nos de volta aos métodos dos apóstolos. Por último, a missão de prover entretenimento falha em conseguir os resultados desejados. Causa danos entre os novos convertidos. Permitam que falem os negligentes e zombadores, que foram alcançados por um evangelho parcial; que falem os cansados e oprimidos que buscaram paz através de um concerto musical. Levante-se e fale o alcoólatra para quem o entretenimento na forma de drama foi um elo no processo de sua conversão! A resposta é óbvia: a missão de prover entretenimento não produz convertidos verdadeiros. A necessidade atual para o ministro do evangelho é uma instrução bíblica fiel, bem como ardente espiritualidade; uma resulta da outra, assim como o fruto procede da raiz. A necessidade de nossa época é a doutrina bíblica, entendida e experimentada de tal modo, que produz devoção verdadeira no íntimo dos convertidos.


Autor: Charles Haddon Spurgeon

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