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terça-feira, 5 de janeiro de 2021

 

Jesus, a Porta

Daniel Lima

Comunicação é uma das tarefas mais complexas que o ser humano desempenha. Por isso, talvez, temos tantos conflitos e mal-entendidos entre nós. O que é óbvio para um chega a ser estranho e até inaceitável para outro. Por isso, um dos fundamentos da comunicação é relacionar fatos novos e estranhos ao que já é conhecido e familiar. Jesus ensinava verdades profundas e revolucionárias estabelecendo conexões com fatos e costumes cotidianos.

O capítulo 9 do evangelho de João registra Jesus curando um cego de nascença, o que gera um tumulto na comunidade religiosa judaica. O conflito é baseado no fato de Jesus ter inegavelmente restaurado a visão daquele homem e ao fato de que o próprio homem reconhece que só alguém “de Deus” poderia fazer isso (João 9.33). No verso seguinte a esta conclusão, este homem é expulso da sinagoga. Isso equivale a ser excluído do “povo de Deus”. É importante salientar que ele não foi excluído por pecado ou qualquer transgressão, mas por afirmar que aquele que o havia curado era de Deus!

Jesus ensinava verdades profundas e revolucionárias estabelecendo conexões com fatos e costumes cotidianos.

Jesus o acolhe e este homem chega a uma fé salvadora. Na sequência, Jesus começa a ensinar sobre pastores e ovelhas. Essa realidade pastoril era extremamente comum naqueles dias. Mesmo quem nunca trabalhava com ovelhas conhecia, em termos gerais, a cultura do cuidado desses animais. No capítulo 10 Jesus faz duas afirmações sobre si mesmo: eu sou a Porta e eu sou o Bom Pastor. Neste artigo quero falar sobre o que Jesus quis dizer com “ser a porta”. Em muitos locais em Israel da época, aldeias tinham um cercado comunitário onde pastores podiam, por um preço, deixar suas ovelhas. Era uma área murada guardada por um porteiro (João 10.3). O pastor podia deixar ali suas ovelhas e as chamar com seu sinal característico quando voltasse para buscá-las. Suas ovelhas reconheciam sua voz e o seguiam. As demais ovelhas – não reconhecendo a voz do seu pastor – se afastavam dele. O curral aqui mencionado era diferente do cercado frágil em que o pastor deixava suas ovelhas e se deitava na porta para que elas não se perdessem. Este curral tinha uma porta sólida que protegia as ovelhas tanto de ladrões quanto de predadores.


O ensino central desta passagem pode ser encontrado em João 10.9-10:

Eu sou a porta; quem entra por mim será salvo. Entrará e sairá, e encontrará pastagem. O ladrão vem apenas para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham plenamente.

Há promessas e lições preciosas para nós nestes versos. Eu identifico pelo menos quatro: 1) Jesus como único salvador; 2) entrar e sair; 3) encontrar pastagem; e 4) cuidado com o ladrão.

  1. Jesus como único salvador. Esta lição é óbvia e extremamente clara para todo aquele que conhece a Bíblia. No entanto, é importante afirmar que estes abrigos tinham uma só porta e não várias. Jesus torna isso muito claro em outras passagens (João 1.12; 3.16-18; 14.6). Na verdade, existem outras ofertas de portas, mas só uma conduz à salvação. Num mundo crescentemente pluralista, esta afirmação soa como politicamente incorreta, mas é nosso “Shemah” (Deuteronômio 6.4), nossa mais clara declaração de fé.

  2. Entrar e sair. A expressão usada por Jesus é que “quem entra por mim será salvo. Entrará e sairá...”. O curral era um local seguro, mas não o destino das ovelhas. Elas não viviam no curral. Elas viviam fora deste. Ali elas eram protegidas, alimentadas e por vezes curadas, mas seu destino, seu local de moradia, era fora. Penso muito nisso ao observar nossas igrejas. É seguro afirmar que a grande maioria dos esforços de nossas igrejas se limita a cuidar dos salvos e suas famílias.

    O professor e implantador de igrejas Dr. Scott Horrell afirmou em seu livro A Essência da Igreja: “Na maioria das igrejas ocidentais hoje, os dons e recursos dos membros são canalizados primariamente para construir e equipar centros institucionais. O propósito é estabelecer uma base de adoração, com eventuais incursões para ajudar os pobres ou alcançar aqueles sem Cristo”.

    Como salvos, somos chamados a entrar e ser cuidados, mas igualmente a sair e manifestar nosso Salvador (Mateus 28.19-20).

  3. Encontrar pastagem. A expressão, curiosamente, se refere a encontrar alimento fora do curral. Assim, Jesus promete nos sustentar tanto dentro quanto fora do curral. Nossa identidade não é definida pelo curral, mas por sermos suas ovelhas. Uma vez suas ovelhas, entramos, saímos e somos por ele alimentados. Nossa única participação é continuarmos nele.

  4. Cuidado com o ladrão. Jesus nos alerta para cuidar com aquele cujo propósito é “roubar, matar e destruir”. Muito embora exista uma referência aos falsos pastores de Israel (Ezequiel 34), Jesus se refere aqui ao próprio Diabo. O alerta de Jesus é para que fiquemos atentos, pois qualquer outro “salvador” é na verdade um agente do Diabo para roubar, matar e destruir.

Nossa fé se baseia na pessoa de Cristo. Somos chamados a conhecê-lo e a segui-lo. Minha oração é que ele seja não só nossa porta de acesso ao Pai como também aquele que nos protege e nos alimenta.


sábado, 5 de dezembro de 2020

 

Livros e Folhetos Gratuitos SO PEDIR

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Folhetos             


          Segue-se abaixo uma lista de endereços onde pode ser solicitados folhetos grátis em português. Dividi em duas categorias. 1ª Brasil; 2ª Exterior.                                                               
            Às vezes demora em média um ou dois meses e até mais, dependendo do lugar, mas vale a pena solicitar de todos os endereços, pois quando começar a chegar, você terá muitos folhetos disponíveis para evangelismo. Ao receber uma remessa, repita o pedido novamente. Se souberem de algum endereço além destes, queiram me indicar para postar aqui também. Obrigado!


          "Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor" (I Corintios 15.58)



Brasil                                                 

Dica: Nos endereços que contenham sites e/ou e-mail, podem ser feitos pedidos através da internet. É mais rápido, econômico e prático


 A Mensagem do Amor de Deus  
Av. Ver. Toaldo Túlio, 1750 - São Bráz - Curitiba - PR - Cep: 82320-010          (Pedidos de Folhetos evangelísticos sem propagando denominacional. Eles também mandam Bíblias e Novo Testamento, conforme disponibilidade).

 Distribuidora de Literatura Cristã
Cx. Postal 142 – Rio Verde – GO - Cep: 75901-970                                          
(Pedidos de Folhetos evangelísticos com propagando denominacional, mas vale a pena. São muito bons para evangelismo e dá pra carimbar o endereço da Igreja. Eu já recebi uma Bíblia grátis). Pedidos podem ser feitos também pelo e-mail:  literatura@menonita.org.br

 Missão Aleluia
Cx. Postal 1066 – Belo Horizonte – MG - Cep: 30123-970                                (Pedidos de Folhetos evangelísticos sem propagando denominacional. Mandam poucos folhetos, mas você pode comprar a um preço bem acessível. Eu recebi Um Novo Testamento - O Mais Importante é o Amor).

Canaã no Brasil - www.canaan.org.br 
Cx. Postal 440 – Curitiba – PR - Cep: 80011-970 
(Pedidos de Folhetos evangelísticos. Mandam livros na medida do possível. Excelentes para a vida cristã. Pedidos podem ser feitos através do site também)



Curso Bíblico “Luz da Vida”
Cx. Postal 252 - Caruaru – PE – Cep: 55.000-000
 (Eles enviam um Curso Bíblico e folhetos. Também já recebi Novo Testamento).

Agencia Missionária Interlink - www.interlink.org.br 
Cx. Postal 8005 - São José dos Campos – SP – Cep: 12216-970
(Eles enviam livretos e folhetos evangelísticos gratuitamente, bastando você pagar apenas as despesas de correio. Mandam caixa com 10 Kg. Vale à pena!)

Familia Smith
Rua São Paulo, 847/502 – Belo Horizonte – MG.  Cep: 30170-131
(Mandam cerca de 200 folhetos por remessa. Já recebi um Novo Testamento).

Caso você tenha pressa em utilizar folhetos, pode baixar da internet e imprimir, ou mesmo digitar seus próprios folhetos.


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Exterior




            Vale a pena lembrar que ao solicitar literaturas de uma instituição estrangeira, você deve sempre indicar seu idioma oficial e em que língua gostaria de receber literaturas. Sempre faço pedidos em português mesmo, mas se você dominar bem o inglês, será mais fácil para eles). É sempre bom usar um tradutor para traduzir as páginas, assim dá para entender o conteúdo do site.
      

ALL NATIONS GOSPEL PUBLISHERS
P.O.Box 2191, Pretoria, 0001, R.S.A.
(Mandam folhetos evangelísticos gratuitamente para várias partes do mundo e Exemplares do Livro “O CORAÇÃO DO HOMEM”)


Apostolic Faith Church
6615 SE 52nd Avenue – Portland, Oregon. 97206 - U.S.A                            (Pedidos de Folhetos evangelísticos com o nome da igreja, mas em geral são muito bons. Mandam cerca de 1000 folhetos por remessa. Também mandam um Livrinho intitulado "30 Dias no Caminho Para a Eternidade". Pedidos podem ser feitos através do e-mail também)  

Bibel fur die Welt  www.goldene-worte.de
Deutsch-Kanadisches Missinswerk e.V.                                      
D-72172 / Neckar - Alemanha                                                              
(Pedidos de Folhetos evangelísticos em português. Eu já recebi uma Bíblia grátis) 

World-Wide Christian Literature, Inc.
P.O. Box 1720 – Burbank, CA – U.S.A. 
(Pedidos de Folhetos evangelísticos em português só via correio) 

Difusão de Tratados Cristãos
Apartado, CH-2500 – Biel-Bienne 8 (Suiça)  - E-Mail: info@dclit.net             (Pedidos de Folhetos evangelísticos em português. Geralmente enviam uma remessa de 5 ou 6 kg de literaturas. Mandam Novo Testamento, Evangelho de João. Eu sempre recebo uma Bíblia a cada remessa)      

World Services Incorporated www.realmiracles.com
P.O. Box ‘A’ – Downey – California - 90241 – U.S.A 
(Pedidos de Folhetos evangelísticos em português. Recentemente recebi uma remessa contendo uns 6 mil folhetos)    

Literatura Cristã
Route de Cheseaux 2 - CH-1400 – Yverdon (Suiça)                        
(Pedidos de Folhetos evangelísticos em português, livros e Bíblias, conforme disponibilidade, só via correio). 

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European Christian Mission - E-mail:ecmnl@wxs.nl         Postbus 861, 7400 AW Deventer, Holanda                          
(Recebi uma revista em Português falando sobre evangelismo e missões. Bem interessante)







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  • Literatura com aplicação evangelística; Ideal para uso em família; Ideal para presentear descrentes. Conteúdo de boa reputação 
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sábado, 28 de novembro de 2020

 

O poder da pergunta

Daniel Lima

Desde pequeno nos apaixonamos por respostas. Geralmente não buscamos perguntas, mas respostas. Perguntas revelam algo que nos falta, que não sabemos, nossa incompletude, evidenciam nossa necessidade de algo fora de nós mesmos. Mesmo durante aquele delicioso período em que as crianças perguntam incessantemente “por que?”; isso é apenas um exercício de conversação. O que queremos mesmo é a resposta!

É óbvio que nós perguntamos para obter respostas. No entanto, tenho refletido que nossa tendência é correr rápido demais atrás de respostas, mesmo que venham rápido ou sejam genéricas ou simplistas. Respostas assim podem resolver a questão, mas eu temo que não alimentem nosso coração. Pelo contrário, o período de dúvida, de curiosidade, de busca e de inquietação me parece o período em que mais crescemos.

Jesus ensinava por meio de perguntas. Eu imagino que os discípulos ficavam frustrados com respostas que, ao invés de encerrar suas dúvidas, despertavam novas. As respostas de Jesus não solucionavam quando as perguntas (ou a intenção por trás delas) eram imediatistas e utilitárias. Veja por exemplo aquele homem que perguntou a Jesus “Bom mestre, que farei para herdar a vida eterna?” (Marco 10.17). Não podemos julgar seu coração, mas podemos inferir a partir da resposta de Jesus que ele não queria realmente saber o que fazer para herdar a vida eterna. Talvez ele quisesse um reconhecimento de Jesus quanto à sua religiosidade, talvez ele quisesse algo que estava dentro do seu controle e que ele pudesse fazer sem muito sacrifício, talvez ele quisesse apenas confirmar suas opiniões. O fato é que a resposta de Jesus o frustrou e, pelo que podemos ler, ele decidiu não seguir a orientação de Cristo.

Vemos um contraste com o mestre da lei que pergunta a Jesus qual o mandamento mais importante (Marcos 12.28). Este ouve, aceita e concorda com a resposta. Nesta interação pode-se perceber como aquele que perguntou toma a resposta de Jesus e a leva um passo adiante. Nos versos 29-31 lemos o registro da resposta de Jesus citando como mais importante amar a Deus e em seguida destacando que o segundo é amar o próximo. O mestre da lei concorda e, ao final de sua resposta, acrescenta que amar a Deus e o próximo é mais importante que sacrifícios e ofertas. Esta declaração revolucionária e radical para um mestre da lei foi a aplicação da reposta de Jesus. Este homem parece que estava realmente lidando com a questão.

Não crescemos catalogando respostas, crescemos por meio de perguntas. Crescemos ao questionarmos, crescemos ao buscar com sinceridade a verdade.

Percebo em minha própria vida o quão inquieto eu fico quando não encontro respostas para minhas perguntas. Percebo que só ultimamente tenho apreciado o intervalo da dúvida. Lembro-me como houve momentos em que – encontrando uma resposta razoável – eu, tranquilizado, rapidamente abandonava a pergunta e me agarrava à certeza, ainda que fugaz de uma solução. Temo que em alguns casos estas respostas se transformaram em fortalezas em minha alma. Há conforto em respostas. Há segurança em respostas. Ao mesmo tempo, não crescemos catalogando respostas, crescemos por meio de perguntas. Crescemos ao questionarmos, crescemos ao buscar com sinceridade a verdade.

É claro que devemos buscar respostas. Não há crescimento em permanecer permanentemente duvidando e buscando soluções. Aqueles que assim o fazem, em geral, estão mais preocupados em rejeitar as implicações das respostas do que em encontrar verdades. Ao mesmo tempo, tenho sido alertado para não aceitar respostas rápido demais, abandonando assim as perguntas. Para o cristão, a pergunta sincera e humilde levada a Deus é o caminho para uma maior intimidade com ele, para viver uma maior dependência, para permanecer aos pés da cruz.

Vejo esta postura em Davi ao escrever o salmo 139. Após declarar poeticamente a soberania e o maravilhoso conhecimento de Deus, ele conclui escrevendo nos versos 23-24:

Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece as minhas inquietações. Vê se em minha conduta algo te ofende e dirige-me pelo caminho eterno.

Percebo nestes versos que, mesmo conhecendo o Senhor e confiando nele, o salmista encerra seu salmo dizendo a Deus: investiga minha vida e me revela se há algo que não vejo. Apesar de certezas reconfortantes, Davi ainda se perguntava se havia algo mais que Deus podia lhe dizer. Minha oração é que mesmo diante de certezas, nosso coração esteja sempre pronto a aprender mais de Deus, sempre aberto às perguntas que nos levam a conhecê-lo melhor.


 

Como encarar momentos de sofrimento?

Daniel Lima

Como você imagina Jesus em um corpo glorificado? Imagino que, como eu, você imagina um corpo que brilha, roupas brancas e uma aparência sobrenatural; afinal, ele surgia e desaparecia conforme desejava! No entanto, lendo os relatos dos evangelhos, fui surpreendido por um detalhe importante: ele trazia suas cicatrizes. De alguma forma isso me pareceu contraditório. Um corpo glorificado trazendo as marcas de suas tortura e morte?

Refletindo sobre isso, li um texto de Macrina Wiederkehr, onde ela escreve:

Quando Jesus ressuscitou, suas feridas ainda eram visíveis. As cicatrizes podiam ser vistas ali, bem no meio da glória. Se minha vida deve ser moldada à vida de Cristo, por que isso seria diferente em mim?[1]

A realidade é que lidamos muito mal com nossos sofrimentos. Eu por exemplo reconheço que é por meio de períodos de sofrimento que o Espírito produz em mim algumas transformações que eu não sei como seriam possíveis de outra forma. Após um período de dor, de confusão, mesmo de reclamação a Deus, eu chego num novo lugar. Um lugar de entendimento, de quebrantamento, de nova adoração ao meu Senhor. Ainda assim, eu não teria voluntariamente escolhido este período de sofrimento. Mesmo após compreender a transformação que este “deserto” me trouxe, eu ainda o evitaria.

Por isso somos levados ao deserto pelo Espírito (Mateus 4.1). É no deserto que aprendemos a abrir mão de coisas inúteis, de vaidades e de sonhos que, apesar de parecerem tão belos, são na verdade cadeias que nos escravizam. É no deserto que Cristo se torna meu bem maior. Davi expressa isso no Salmo 16.1-2:

Protege-me, ó Deus, pois em ti me refugio. Ao Senhor declaro: “Tu és o meu Senhor; não tenho bem nenhum além de ti”.

Ao atravessarmos momentos de dor e confusão, momentos em que parece que todo o nosso mundo ruiu, então começamos a vislumbrar algo muito mais belo. Começamos a ver relances do mundo que Deus deseja construir em nossa vida. Assim, as cicatrizes não contrastam com a glória, mas aprofundam a perspectiva dela. São como símbolos que nos lembram de uma época em que éramos escravos e do preço que foi pago para nossa liberdade.

As cicatrizes não contrastam com a glória, mas aprofundam a perspectiva dela. São como símbolos que nos lembram de uma época em que éramos escravos e do preço que foi pago para nossa liberdade.

Paulo expressa esse entendimento em Colossenses 1.24:

Agora me alegro em meus sofrimentos por vocês e completo no meu corpo o que resta das aflições de Cristo, em favor do seu corpo, que é a igreja.

Ele não era masoquista de se alegrar com sofrimentos. Sua alegria estava no privilégio de participar dos sofrimentos de Cristo em favor de outros. Suas cicatrizes de açoites, de apedrejamentos, de prisões, naufrágios e outros sofrimentos não eram um prazer em si. (Nem tampouco eram motivo de orgulho para mostrar sua resiliência.) Sua alegria estava em participar dos sofrimentos de Cristo em favor da igreja.

Também em Filipenses 3.10-11, após declarar que abriu mão de suas credenciais anteriores, ele volta a expressar o mesmo conceito:

Quero conhecer a Cristo, o poder da sua ressurreição e a participação em seus sofrimentos, tornando-me como ele em sua morte para, de alguma forma, alcançar a ressurreição dentre os mortos.

Assim, meu irmão, minha irmã, não devemos temer os momentos difíceis, as provações. Eles são oportunidades únicas de crescimento. Sim, serão doloridos e eu não anseio por eles. Ao mesmo tempo, sei que me libertarão do meu velho homem, gerarão a transformação que tanto desejo, vão – enfim – realizar o que Paulo nos exorta em Colossenses 3.5: “Assim, façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena de vocês...”. Ao final, quando formos feitos semelhantes a ele (1João 3.2), nossas cicatrizes serão preciosas lembranças da jornada pela qual nos conduziu nosso Senhor.

terça-feira, 6 de outubro de 2020

 

Nossa motivação

Não basta ser apenas um observador piedoso da glória de Deus, precisamos nos motivar para batalharmos pela fé.


Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar” (1 Pedro 5.10).

Não basta ser apenas um observador piedoso da glória de Deus, pois estes não terão acesso à Sua verdadeira glória.

Essa glória de Jesus, no entanto, serve de motivação para os filhos de Deus em suas batalhas pela fé. O peso do sofrimento proporciona-lhes um tremendo contrapeso de glória. É o que a Sua Palavra promete:

Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas” (2Co 4.17-18).

Essa maravilhosa antevisão sobre a futura glória que nos aguarda, o lugar de reunião de todos os crentes, nos anima a vivermos fiéis e focados nEle.

Maranata!

 

Filhos da luz

A pessoa que está na luz de Deus é diferente de todos os que não conhecem a Deus; ela não dorme, mas está atenta e receptiva para a realidade do Senhor que se aproxima.


Vocês todos são filhos da luz, filhos do dia.” (1Tessalonicenses 5.5a)

No musical “Ópera dos Três Vinténs”, de Bertolt Brecht, o personagem Mecky Messer canta: “Alguns estão parados no escuro, outros na luz parados estão. Os que estão na luz nós enxergamos, os do escuro não enxergamos, não!”. Assim como há simplicidade na frase, também há profundidade na realidade da afirmação: há pessoas vivendo no escuro e há pessoas vivendo na luz. Há pessoas no lado escuro e há pessoas no lado ensolarado. Transpondo para a área bíblica: há pessoas que estão no lado sotavento de Deus e pessoas que recebem o sopro do seu Espírito. Aqueles, diante de cada raio de luz divino, imediatamente usam seus óculos de sol em sinal de maldade, medo, indiferença e egoísmo. Os outros se dispõem a receber o calor e o amor de Deus. “A vereda do justo é como a luz da alvorada, que brilha cada vez mais até a plena claridade do dia. Mas o caminho dos ímpios é como densas trevas; nem sequer sabem em que tropeçam” (Provérbios 4.18-19).

Vemos, agora, a grande promessa: “Vocês todos são filhos da luz, filhos do dia”. “Vocês todos” se refere a todos que são membros da igreja de Jesus Cristo, todos que receberam o Espírito de Deus. O próprio Deus é luz (1João 1.5), e quem recebe o seu Espírito é um filho da luz. O que há de especial num filho da luz? Luz é uma metáfora (ilustração) para salvação, redenção e, assim, alegria e felicidade. “Estar na luz” significa sair do domínio das trevas com a ajuda do poder de Deus. Quem está na luz pratica obras da luz, da justiça e da verdade. A pessoa que está na luz de Deus é diferente de todos os que não conhecem a Deus; ela não dorme, mas está atenta e receptiva para a realidade do Senhor que se aproxima.

Karl Marx levantou a acusação: “O cristianismo é o ópio do povo. Cristãos são sonhadores, otimistas, utópicos”. O contrário é o que acontece: os cristãos são realistas. Eles são muito conscientes. Eles contam com a volta de Cristo e organizam suas vidas nesse sentido, não com ociosidade e deixando as coisas correrem no caos, mas com sobriedade e agindo efetivamente também nos tempos finais. Assim, cristãos não são apenas otimistas, mas verdadeiros consoladores porque possuem um olhar sobre a imperfeição da pessoa e o olhar para o alto, para o Senhor que a todos aperfeiçoa.

Os cristãos contam com a volta de Cristo e organizam suas vidas nesse sentido, não com ociosidade e deixando as coisas correrem no caos, mas com sobriedade e agindo efetivamente também nos tempos finais.

Ser filho da luz de modo algum significa descansar. Significa manter seu óleo preparado em sua lâmpada (ver Mateus 25). Ser filho da luz significa ser luz no mundo e, em nome de Jesus, combater o mal, os erros do mundo – o que não significa participar de ativismos ou resignar quando algo não dá certo. O que nos incentiva é a alegria antecipada sobre o reino vindouro. Ser filho da luz, em suma, significa levar a luz na escuridão, no mundo, na área de influência de Satanás. Significa não se amoldar ao mundo, mas também não se isolar, como fazem algumas seitas. Assim como Jesus brilhava como luz na escuridão (João 1.5), assim também nós, sendo discípulos de Jesus, devemos brilhar. Não sendo nós mesmos a luz, mas refletindo a luz de Jesus! Não devemos gerar luz própria, acender raios espirituais, ser “grandes luminares”. Jesus quer que sejamos refletores que refletem, geram fachos e transmitem a luz (Mateus 5.14). Nós fazemos isso?

Lothar Gassmann

sábado, 12 de setembro de 2020

 

A Diferença Entre Adivinhações e Profecias Bíblicas

Norbert Lieth

"Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética, e fazeis bem em atendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vosso coração" (2 Pe 1.19).

Profecias bíblicas se cumprem sempre, sem exceção. Por isso podemos ter absoluta confiança nelas. Mas quem confia em adivinhações está perdido!

Só uma coisa é certa a respeito das adivinhações de videntes, astrólogos e cartomantes: a cada ano se repete o fiasco da falha do seu cumprimento! Praticamente todas as previsões para 2003 foram falsas. O "Comitê Para a Investigação Científica das Alegações dos Paranormais" na Alemanha comparou 100 prognósticos com a realidade e verificou que as explicações posteriores dos adivinhos são completamente contraditórias em relação às previsões feitas. Muitos de seus prognósticos são formulados de maneira tão vaga que o exercício da futurologia nem se faz necessário, pois qualquer um de nós poderia fazer previsões semelhantes usando simplesmente a lógica e o bom senso. As previsões são tão genéricas que acabam acertando em algum detalhe. Dois exemplos: em dezembro de 2002 um astrólogo previu "iminente risco de guerra" para o Iraque.[1] O matemático Michael Kunkel (de Mainz/Alemanha), observou que uma declaração dessas, naquela época, equivalia a afirmar que o sol iria nascer na manhã seguinte. Relativamente a Israel, um dos prognósticos para este ano dizia: "Depois de sérios distúrbios, existe a tendência de que no final de 2004 haja um acordo de paz satisfatório, de modo a que ambas as partes tenham interesse em cumpri-lo". É quase impossível falar de maneira mais genérica. Mas é interessante observar como as pessoas, que nada querem saber da Bíblia, são enganadas rotineiramente e dão ouvidos a esse tipo de "profecia" vaga e superficial.

A adivinhação do futuro pode envolver puro e simples engano visando o lucro fácil. Por outro lado, além do interesse financeiro, a astrologia, por exemplo, tem origem espírita e ocultista, diretamente inspirada por Satanás e seus demônios. Seja como for, ela sempre é mentirosa, pecaminosa e de origem diabólica. O reformador Martim Lutero declarou, com razão: "O Diabo também sabe profetizar – e mente ao fazê-lo".

Em Deuteronômio 18.9-11 está escrito: "Quando entrares na terra que o Senhor, teu Deus, te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos. Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos". A Bíblia com Anotações de Scofield comenta a respeito:

As oito práticas anatematizadas para determinação do futuro são estas: 1. do adivinhador – os métodos são apresentados em Ez 21.21; 2. do prognosticador – possivelmente referindo-se à feitiçaria ou astrologia; 3. do agoureiro – aquele que usa prognósticos; 4. do feiticeiro – aquele que faz uso da magia, de fórmulas ou encantamentos; 5. dos encantadores – Sl 58.4-5; 6. de quem consulta um espírito adivinhante – veja o número 7; 7. do mágico, geralmente usado com o número 6 – Is 8.19 descreve a prática; e 8. do necromante – aquele que procura interrogar os mortos. Duas coisas precisam ser mantidas em mente: 1) este mandamento tinha aplicações específicas a Israel que estava entrando na terra; foram feitas para preservar os israelitas das abominações dos seus predecessores (vv. 9, 12 e 14) e 2) para se perceber claramente o contraste entre esses falsos profetas e os profetas como Moisés (vv. 15-19).

Profecia bíblica

Vejamos as principais diferenças entre adivinhação e profecia bíblica:

  • A adivinhação faz afirmações vagas e genéricas e não esclarece os fatos. A profecia bíblica é a história escrita antes que aconteça. Ela parte do próprio Deus Todo-Poderoso, que tem uma visão panorâmica das eras e as estabeleceu em Seu plano divino. O profeta Isaías O engrandece: "" Senhor, tu és o meu Deus; exaltar-te-ei a ti e louvarei o teu nome, porque tens feito maravilhas e tens executado os teus conselhos antigos, fiéis e verdadeiros" (Is 25.1). O próprio Senhor afirma: "lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade" (Is 46.9-10).
  • A adivinhação interpreta algum tipo de sinal. A profecia bíblica não depende da nossa interpretação, mas se sustenta exclusivamente em sua própria realização.
  • As previsões de astrólogos são especulativas e deixam margem para muitas interpretações. A profecia bíblica acerta em 100% dos casos.
  • O apóstolo Pedro escreve: "Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade" (2 Pe 1.16).

Tim LaHaye e Thomas Ice afirmam:

Falsas religiões e idéias supersticiosas baseiam-se em fábulas engenhosamente inventadas, mas a fé cristã está fundamentada na auto-revelação do próprio Deus aos homens, da forma como a encontramos na Bíblia. Além disso, Pedro designa a profecia bíblica como "palavra profética" e diz: "...fazeis bem em atendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso..." (2 Pe 1.19). Por que podemos depositar toda a nossa confiança na palavra profética? Porque a profecia bíblica, segundo a conclusão de Pedro, não é a explicação humana dos acontecimentos históricos: "sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo" (2 Pe 1.20-21).Tendo a profecia, os cristãos possuem um resumo do plano divino para o futuro. Além disso, como centenas de profecias já se cumpriram literalmente – a maioria delas relacionadas à primeira vinda de Cristo – sabemos que todas as promessas em relação ao futuro também se cumprirão integralmente nos tempos finais e por ocasião da volta de Cristo".[2]

  • Adivinhação e interpretação de sinais são baseados em mentiras, enquanto a profecia divina é a mais absoluta verdade. Balaão era um "agoureiro" (Nm 24.1) que Balaque, rei dos moabitas, queria usar para amaldiçoar Israel (Nm 23-24). E justamente esse adivinhador foi obrigado a reconhecer: "Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá?" (Nm 23.19).
  • A Bíblia contém 6.408 versículos com declarações proféticas, das quais 3.268 já se cumpriram. Não se sabe de nenhum caso em que uma profecia bíblica tivesse se cumprido de forma diferente da profetizada. Esses números equivalem à chance de que ao jogar-se 1.264 dados, todos caiam, sem exceção, com o número 6 para cima. Essa probabilidade é tão pequena que exclui toda e qualquer obra do acaso.[3]
  • Conforme o Dr. Roger Liebi, 330 profecias extremamente exatas e específicas referentes ao Messias sofredor se cumpriram literalmente por ocasião da primeira vinda de Cristo.

Dessa abundância de profecias relacionadas ao nascimento, à vida e à morte de Jesus, destacamos apenas o exemplo do Salmo 22.16-17: "...traspassaram-me as mãos e os pés. Posso contar todos os meus ossos..." Não há dúvida de que essa passagem fala da crucificação, pois o sofrimento descrito pelo salmista só acontece nesse tipo de morte. Entre os judeus a crucificação jamais foi uma forma de execução de condenados à morte e ainda não era conhecida quando o salmo foi escrito. Bem mais tarde os romanos copiaram dos cartagineses a pena de morte por crucificação. Portanto, seria muito mais lógico se o salmista tivesse descrito a morte por apedrejamento ou pela espada. Numa época tão remota (1000 a.C.), por que ele falou da morte pela cruz, completamente desconhecida dos judeus? A resposta é que o salmista, inspirado pelo Espírito de Deus, era um profeta e apontava a morte futura de Jesus.

  • A adivinhação cria confusão mental, turva a visão para a verdade bíblica e bloqueia a disposição das pessoas de crerem no Evangelho de Jesus Cristo. Ela embota seus sentidos, prendê-as a falsos ensinos e torna-as inseguras em suas decisões. A profecia divina, entretanto, liberta e dá segurança. Por isso todos deveriam seguir o conselho de Deus: "Eu o disse, eu também o cumprirei; tomei este propósito, também o executarei. Ouvi-me vós..." (Is 46.11b-12a).
  • Qualquer pessoa que crê em Jesus Cristo e confia sua vida a Ele tem um futuro seguro e não precisa ter medo de nada. Quem se entrega a Jesus passa a viver sob a bênção da profecia encontrada em João 14.3: "E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também". (Norbert Lieth 

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