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sábado, 10 de agosto de 2019

Quanto tempo me resta?

Daniel Lima
Era um acampamento de adolescentes. Como parte da equipe organizadora, fui dormir já de madrugada, após verificar que todos os adolescentes estavam nos quartos e lembrando que precisaria levantar cedo para buscar o pão para o café da manhã do grupo. Ao chegar no quarto da equipe, descobri que todas as camas estavam tomadas. Assim, carreguei meu saco de dormir e fui para uma Kombi, onde dormi as poucas horas que me restavam. Na manhã seguinte despertei animado e cheio de energia! Comprei o pão, dirigi as atividades, corri o dia todo, sem nem lembrar da noite curta e desconfortável.
Já se passaram mais de 35 anos desde este dia... Hoje, se o travesseiro não for bom e o colchão não for adequado, tenho dificuldade de dormir. Para completar, minha definição de noite bem dormida é aquela que tenho de me levantar apenas uma vez para ir ao banheiro...
Na semana passada completei 61 anos de idade. Pela misericórdia de Deus, gozo de boa saúde e não tenho nenhuma limitação crônica. No entanto, meu corpo não me deixa esquecer que a vida é breve.
No Salmo 90, lemos uma oração atribuída a Moisés em que ele trata da brevidade da vida e de como o tempo é fugaz. Os versos 10 a 12 afirmam:
10Os anos de nossa vida chegam a setenta, ou a oitenta para os que têm mais vigor; entretanto, são anos difíceis e cheios de sofrimento, pois a vida passa depressa, e nós voamos! 11Quem conhece o poder da tua ira? Pois o teu furor é tão grande como o temor que te é devido 12Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria.
O salmo nos apresenta uma expectativa de vida de 80 anos (para os que têm vigor), e o verso 12 propõe o curioso exercício de “contar os nossos dias”. Embora não sabendo quantos anos o Senhor tem reservado para nós, e que o propósito do exercício de contar dias é muito mais que matemática, um cálculo rápido indica que eu já ultrapassei 75% de minha vida. Em outras palavras, já vivi 22 265 dias de vida e ainda me restam 6 935...
É certo que não é este o propósito do verso 12 ao nos estimular a “contar os nossos dias”. No entanto, ao fazer este simples exercício, devo reconhecer que minha mente é alertada para o fato (inegável) de que não tenho tanto tempo nesta vida. Duas reflexões se impõem diante deste “alerta”. A primeira é: “Onde investi minha vida?”. Essa é uma questão que pode se tornar deprimente ao observar tempo desperdiçado, sonhos não realizados ou erros cometidos; ou pode gerar alegria e gratidão ao ver compromissos assumidos há muitos anos que ainda se mantém: fidelidade a Deus, compromisso com o cônjuge e a família, integridade de vida.
Podemos olhar para o futuro e viver intencionalmente os dias que nos restam – intencionalmente voltada para Deus.
A segunda e, talvez, mais importante reflexão é: “O que vou fazer com o restante da minha vida?”. Ao olhar para o passado posso aprender, mas não posso mudar nada. No entanto, posso olhar para o futuro e viver intencionalmente os dias que me restam. Parece-me que esta é uma boa definição de um coração que alcançou sabedoria: viver o restante de sua vida intencionalmente voltada para Deus.

Devo confessar que estou bem satisfeito com minha idade. É óbvio que sinto falta de um corpo mais forte, ágil e disposto. Mas reconheço também que não teria chegado onde hoje está meu coração sem todos esses anos de caminhada. Eu não trocaria a saúde que um dia tive pela sabedoria (às vezes aproveito tão pouco dela) que o Senhor me concedeu ao longo dos anos.
Revendo o título deste artigo, quero afirmar que a pergunta mais importante não é quanto tempo me resta, posto que não podemos respondê-la. A pergunta principal é como vou viver o tempo que me resta, não importa quanto seja. Minha sincera oração, tanto para mim mesmo como para você, é expressa brilhantemente pelo apóstolo Paulo em Filipenses 3.13-14:
13Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, 14prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.

Resposta às orações

Lothar Gassmann
E tudo o que pedirem em oração, se crerem, vocês receberão.” (Mateus 21.22)
A fé bíblica está baseada no Deus que verdadeiramente existe. Ela não gira em torno de si mesma, mas é uma relação de diálogo; ela se dispõe a receber correções vindas de fora. Deus pode corrigir nossas orações se elas estiverem “erradas” ao seu entendimento. Assim – devidamente dirigido pelo Espírito Santo – um cristão sempre perguntará (nesta ordem): “Senhor, qual é a tua vontade? Senhor, o que devo pedir e fazer pelos outros? Senhor, por qual caminho eu devo andar, de acordo com a tua vontade?”.
A oração cristã é a oração feita diante de Deus Pai, em nome de Jesus: “E eu farei o que vocês pedirem em meu nome, para que o Pai seja glorificado no Filho” (João 14.13, ver 16.24; Mateus 18.20). Os cristãos também podem orar para o Filho, pois Jesus diz: “O que vocês pedirem em meu nome, eu farei” (João 14.14). Para tais orações, feitas a partir do relacionamento de fé com Deus, em Jesus Cristo, há a promessa de que serão atendidas.
A vontade de Deus é reconhecida basicamente na Bíblia e é revelada sob orientação do Espírito Santo para situações concretas (ver 1Coríntios 14.37ss; 15.1ss). Deus não satisfaz a cada desejo, mas nos dirige do modo que é melhor para nós e para os outros.
A oração move o braço de Deus. Assim, não esqueça o louvor e a gratidão.
Lembre-se do quanto Deus, em silêncio, já nos ajudou
e esteve perto quando o ânimo faltou!
A oração move o braço de Deus. Orem de modo honesto e fiel!
Não com muitas palavras, nem com fingimento!
Apresentem-se a Deus sem constrangimento.
A oração move o braço de Deus. Assim, sejam firmes em oração!
Antes de pedirem, o Senhor sabe o que precisarão.
Cedo ou tarde, ele sempre dá sua atenção.

Salvação versus carma

Lothar Gassmann
Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear isso também colherá. Quem semeia para a sua carne da carne colherá destruição; mas quem semeia para o Espírito do Espírito colherá a vida eterna.” (Gálatas 6.7-8)
A Palavra de Deus diz que cada pessoa é responsável pelos seus atos e que cada um receberá, “perante o tribunal de Cristo... de acordo com as obras praticadas por meio do corpo, quer sejam boas quer sejam más” (2Coríntios 5.10). Algumas seitas relacionam essa passagem com a doutrina “da reencarnação e do carma”, de repetidas vidas terrenas e um somatório de boas e más ações. Tanto nessa passagem como em toda a Bíblia, porém, não encontramos nada a respeito. Antes de tudo, as ideias do carma e da salvação por meio de Cristo são incompatíveis entre si. Em contraste com esse constante abatimento da culpa de novos pecados, em virtude de boas obras praticadas no decorrer de muitas reencarnações, temos de forma radical a salvação plena dos pecados da pessoa, consumada uma vez por todas na cruz por meio de Jesus Cristo, que se sacrificou em nosso lugar, e esta salvação é recebida pela fé (Romanos 3.23ss; 8.1; Efésios 2.8ss; Hebreus 9.12,27ss).
Gálatas 6.8, que desenvolve o versículo anterior, traz uma contestação à doutrina do carma, que afirma: a pessoa que semeia sobre sua “carne” – isto é: que constrói sobre seu velho ser não redimido e sobre as suas obras (também sobre suas “boas obras” realizadas durante as muitas supostas encarnações) – “da carne colherá destruição”, mas aquele que semeia para o “Espírito” – quem confia unicamente no poder de Deus e produz “frutos do Espírito” – “do Espírito colherá a vida eterna”. O versículo a seguir contesta todos os esforços próprios para a salvação: “Pois sustentamos que o homem é justificado pela fé, independente da obediência à lei” (Romanos 3.28).
Venham comemorar, cantar e agradecer ao nosso Senhor!
Venham com alegria para a grande festa de Deus!
Venham todos de perto, mesmo se de longe for,
pois Deus quer contar com a confiança de todos os seus!
Venham e vejam: não há nada que seja maior do que Deus!
Ele criou a terra, os altos montes e o mar.
Sim, ele sabe das folhas do caminho que estão a secar.
O que é pálido, com o seu fulgor volta a brilhar.
Somos o povo de sua pastagem, criado por sua mão,
tentamos, no entanto, sem Deus viver.
Voltemo-nos a ele, que nos oferece o seu amor.
Servir-lhe, alegres, é o nosso dever..

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Bandido bom é bandido... redimido!

Daniel Lima
Nesta última sexta feira, por volta das 23 horas, minha esposa e eu nos preparávamos para ir para o quarto. A semana havia sido repleta de compromissos, com um adicional de doença e algumas viagens curtas. O tempo começava a esfriar e o sábado prometia ser tomado por novos compromissos. Eu, pessoalmente, estava pronto para ir pra cama, ler algo leve e cair de sono. Foi então que ouvimos uma série de estampidos. Parecia que alguém estava martelando uma tábua. Sabíamos que, devido ao local onde moramos, aquilo só poderiam ser tiros. E foram vários; não contei, mas me pareceram mais de vinte. Infelizmente esta não é uma ocorrência tão rara em nosso bairro. Agradeci mentalmente mais uma vez à proteção de Deus, pedi pelos meus filhos e tirei o evento de minha cabeça.
Uma hora depois fui acordado por um investigador da polícia pedindo para verificar as gravações de vídeo das câmeras de segurança de nosso condomínio. Fui então envolvido em um evento com o qual eu normalmente tomaria muita distância. Nestes últimos dias o caso foi examinado e investigado. Muito embora as investigações não tenham sido concluídas, o que parece certo é que foi um acerto de contas entre traficantes. Aparentemente um grupo realizou uma emboscada a poucos metros da entrada do local onde moro e assassinou um indivíduo com quinze tiros. A vítima tinha contra si, além de extensa ficha policial, o fato de que estava foragida da justiça. Foi atraída à nossa rua para um encontro e ali assassinada sem qualquer preocupação aparente dos atiradores em ocultar sua identidade.
Para alguns, mesmo cristãos, a reação é “um vagabundo a menos...”. Eu posso entender esta reação diante da insegurança, da aparente impunidade, do relativo domínio de facções sobre nossa cidade. Ao mesmo tempo, comecei a refletir sobre este homem que foi morto de modo tão brutal e acintoso. Certamente ele teve uma mãe. Será que ela o amou? Será que seu pai estava presente? Será que ele como homem mostrou algum interesse pelo filho? Será que ele teve algum exemplo positivo quando pequeno, ou cresceu em meio à criminalidade? Será que foi abusado pela violência? Será que alguém tentou lhe ensinar algum valor de vida? Será que teve medo enquanto crescia? O que ele fazia quando pequeno e tinha medo? Chorava? Será que aprendeu desde pequeno que “homem não chora”? Será que apanhou ou foi ridicularizado por chorar? Será que foi “recrutado” pelo crime quando menor? Quando foi que ele assumiu este estilo de vida? Será que tentou deixar esta vida de crimes?
O propósito de Deus não é meramente realizar justiça. Se assim o fosse, a humanidade já teria sido exterminada.
Estas e outras tantas questões me fazem refletir sobre o término de uma vida que pode ter sido terrível (ou não). Sem dúvida este era um homem envolvido com o crime, talvez muito violento. Se estava envolvido com o tráfico, então cooperava para a miséria de centenas, talvez milhares de pessoas. Se ele merecia a morte? Certamente que sim. No entanto, antes de encerrarmos o caso, deixe-me afirmar que assim como ele, você e eu também a merecemos; na verdade, nascemos já condenados, não por nossos atos, mas pela descendência de Adão (“no dia em que dela comer, certamente você morrerá”; Gênesis 2.17b).
Qual o valor de uma vida? Não importa como esta pessoa viveu, sua alma tem um valor imensurável. Nosso valor não pode ser medido por nossas escolhas, muito embora elas determinem nossa influência e muitas das consequências com as quais vamos viver. No segundo livro de Pedro, capítulo 3, verso 9, lemos:
O Senhor não demora em cumprir a sua promessa, como julgam alguns. Ao contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento.
O propósito de Deus não é meramente realizar justiça. Se assim o fosse, a humanidade já teria sido exterminada. Ele deseja que todos cheguem ao arrependimento. Ele certamente desejava que aquele homem morto com quinze tiros em minha rua após uma vida de crimes, gerando e sofrendo miséria e dor, chegasse ao arrependimento. Paulo afirma em 1Timóteo 2.3-6:
3Isso é bom e agradável perante Deus, nosso Salvador, 4que deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. 5Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, 6o qual se entregou a si mesmo como resgate por todos. Esse foi o testemunho dado em seu próprio tempo.
Tenho um enorme respeito por meus irmãos reformados que acreditam em redenção limitada. Eu, no entanto, continuo a crer que o efeito redentor da morte de Cristo se estende a todos, basta crer (João 3.16). Muito embora a Bíblia deixe muito claro que poucos serão salvos e que não há mérito nenhum naquele que é salvo, as explicações que tentam limitar a palavra “todos” no texto acima são simplesmente forçadas. O texto afirma que Deus deseja que todos os homens sejam salvos. Isso não significa que todos serão salvos (heresia do universalismo). Isso tampouco significa que a vontade de Deus foi frustrada (heresia da limitação do poder de Deus), mas que ele permite que nós humanos façamos escolhas que contrariem sua vontade moral. Mesmo meus irmãos reformados acreditam que Deus permite o pecado, mesmo que isso contrarie sua vontade moral.
Bandido bom não é bandido morto, pois se assim fosse, então humano bom seria humano morto... Bandido bom é bandido redimido como eu e você fomos. Certamente colhemos aquilo que plantamos e quando assim não for, é devido à misericórdia de Deus e não ao nosso mérito. Minha sincera oração é que como cristãos continuemos a lutar por uma sociedade mais justa, pelo fim da impunidade (em todos os níveis), por medidas tanto restritivas como restauradoras. Ao mesmo tempo, que nosso coração se alinhe com o coração de Deus – que deseja que todos cheguem ao arrependimento

sábado, 22 de junho de 2019

Presentinho do dia: livro O cajado do pastor(diversos autores)

O cajado do pastor
Obra com mais de mil páginas, tem o propósito de treinar líderes eclesiásticos, especialmente os que trabalham na Ásia, África e América Latina. Indicada para missionários ou pessoas vocacionadas para as missões. Contém um manual de treinamento para novos crentes, uma concordância que cobre os duzentos principais tópicos da Bíblia e um guia para treinamento de líderes. O material foi reunido pela organização World MAP nos últimos trinta anos.
Nos outros sites, você encontra o livro dividido em nove arquivos, mas aqui eles foram reunidos num único arquivo.  (PDF).
Faça Seu Pedido pelo email  mrvc.1@hotmail.com

segunda-feira, 3 de junho de 2019

5 palavras de Jesus que podem mudar o mundo

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Você já deve lido ou ouvido falar do Sermão da Montanha onde Jesus deu um discurso para milhares de pessoas, com lições de conduta e moral que até hoje orientam a vida dos cristãos. As palavras de Jesus neste Sermão são profundas (e difíceis), mas se praticadas, trazem uma verdadeira libertação a qualquer pessoa. Jesus disse sobre como podemos ter acesso ao Reino de Deus e da transformação que esse Reino produz em nós. Ou seja, se obedecermos as palavras de Jesus, poderemos mudar o mundo à nossa volta e a nós mesmos.
Abaixo, eu coloquei 5 palavras que Jesus disse no Sermão da Montanha, que trazem grandes transformações quando são praticadas. Eu também quero te incentivar a ler todo o Sermão da Montanha, que está no Novo Testamento da Bíblia, em Mateus capítulos 5 ao 7. Espero que estas palavras de Jesus mudem a sua vida, assim como tem mudado a vida de milhões de pessoas ao longo da história:
1) Devemos ser luz nesse mundo de trevas (Assim como a lua reflete a luz do sol, devemos refletir a Luz de Cristo através de nossas boas obras)
"Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus" (Mateus 5:14-16).
2) Devemos perdoar rapidamente e buscar humildemente o perdão
"Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta" (Mateus 5:23-24).
3) Devemos buscar a santidade como prioridade (Todo pecado sexual ou qualquer outro começa na mente)
"Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’. Mas eu lhes digo: qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração" (Mateus 5:27-28)
4) Nós ficamos mais parecidos com Cristo quando amamos quem não merece, perdoamos quem nos ofende e fazemos o bem para quem não retribui
"Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos" (Mateus 5:43-45).
5) Deus quer demonstrar o Seu amor perfeito através de pessoas imperfeitas (como eu e você)
"Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os publicanos fazem isso! E se vocês saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso! Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês" (Mateus 5:46-48).

sábado, 4 de maio de 2019

Cuidado com os cães!

Nathanael Winkler
Em Filipenses 3.2 lemos: “Cuidado com os ‘cães’, cuidado com esses que praticam o mal, cuidado com a falsa circuncisão!”. Paulo passa esse tipo de advertência em quase todas as suas cartas. Ele adverte contra falsos mestres que penetram na igreja e ensinam algo diferente do que Paulo e os apóstolos. Ele descreve os falsos mestres como cães, como quem pratica o mal e como aqueles que introduzem uma falsa circuncisão. Quando se trata do evangelho, Paulo não contemporiza. Do ponto de vista atual, isso não é “politicamente correto”. Em nossos dias, muitos – especialmente políticos – procuram enfeitar o que dizem para de modo nenhum ferir alguém. Paulo, no entanto, não pode tolerar nada que afaste da doutrina da graça.
Quem são os cães a que Paulo se refere? Naqueles tempos, os cães eram diferentes daqueles que conhecemos hoje. Para nós, o cão é um animal doméstico e é tido como agradável, gentil e o melhor amigo. Naqueles tempos, porém, os cães eram selvagens, circulavam em bandos e só viviam em busca de vítimas. O mesmo comportamento é o dos falsos mestres que penetram na igreja. Eles procuram a quem possam devorar e onde estão os pontos fracos.
No Salmo 59.4-5 diz: “Mesmo eu não tendo culpa de nada, eles se preparam às pressas para atacar-me. Levanta-te para ajudar-me; olha para a situação em que me encontro! Ó Senhor, Deus dos Exércitos, ó Deus de Israel! Desperta para castigar todas as nações; não tenhas misericórdia dos traidores perversos”. Davi descreve aqui os descrentes, os pagãos. Mas em quem Paulo pensa? De certo modo, Paulo também se refere aos descrentes. Em Filipenses 3.3 ele enfatiza: “Pois nós é que somos a circuncisão”. Os falsos mestres eram judaístas e pregavam a circuncisão. Afirmavam que os crentes deveriam circuncidar-se para serem membros efetivos da igreja.
Paulo era judeu e em geral enfrentava oposição dos judeus. Aonde quer que ele fosse, seu primeiro destino era sempre a sinagoga. De fato, esse era o melhor ponto de partida para evangelizar numa cidade. Em geral, os judeus causavam então algum tumulto por não concordarem com Paulo. Onde há tumulto, costuma juntar gente para ver o que há. Uma oportunidade como essa pode ser aproveitada para pregar a todos. Assim, naquele tempo viviam no Império Romano muitos judeus espalhados por toda parte, e Deus usou essa situação para divulgar o evangelho. Paulo enfrentava oposição por perseguição. Os judaístas ensinavam “Jesus e a circuncisão” ou “Jesus e o sábado” ou “Jesus e uma outra lei”. Não era mais a graça somente.
Se alguém pregar um evangelho diferente daquele anunciado pelos apóstolos, ele será um falso mestre e amaldiçoado.
Paulo identifica esses “cães” também com “esses que praticam o mal”. O termo “praticam” designa pessoas ativas e que, nesse caso, vêm trazer um outro evangelho. Esse também era o problema das igrejas na Galácia: “Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho que, na realidade, não é o evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou um anjo dos céus pregue um evangelho diferente daquele que pregamos a vocês, que seja amaldiçoado!” (Gl 1.6-8). Também aqui Paulo não deixa dúvidas. Ele diz que, se alguém pregar um evangelho diferente daquele anunciado pelos apóstolos, ele será um falso mestre e amaldiçoado.
Esses “que praticam o mal” talvez fossem externamente perfeitos, talvez seu estilo de vida parecesse impecável. Talvez tais pessoas tenham sido observadas e tenham impressionado com sua aparência exemplar e decente. No entanto, não devemos deixar-nos enganar: Satanás não é tolo, ele sabe como pode seduzir os crentes. Em Filipenses 3.18 Paulo escreve em prantos: “Pois, como já disse repetidas vezes, e agora repito com lágrimas, há muitos que vivem como inimigos da cruz de Cristo”. O apóstolo conhece o mal que esses inimigos poderão provocar. Ele adverte os filipenses a ficarem atentos e, com respeito aos judaístas, que deverão guardar-se do legalismo.
Tendemos facilmente a pensar que devemos oferecer algo a Deus para receber algo dele. É a natureza humana: se eu trabalhar, serei remunerado. Em parte, também pensamos assim em relação à obra da redenção: preciso fazer algo a fim de merecê-la.
Não, nós nada podemos oferecer a Deus. Jesus Cristo realizou tudo por nós. É graça e apenas graça. Será que isso significaria então que podemos fazer o que bem entendemos? Não, um cristão que pensa assim precisaria se questionar se ele realmente experimentou um novo nascimento. Um cristão em quem realmente habita o Espírito de Deus desejará viver segundo o padrão de Deus. Ele será transformado pelo Espírito de Deus. Mas se começarmos a pregar a necessidade de praticar isso e mais aquilo para conquistar a salvação, como por exemplo guardar sábados e determinadas festas, observar leis de pureza, jejuar, confessar-nos, isto será um outro evangelho, que não encontramos na Bíblia.
Naquele tempo, o que penetrava na igreja eram os judaístas e adicionalmente as marcas das religiões pagãs. E como é a situação nas nossas igrejas? Em Mateus 7.21-23 lemos: “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor!’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês que praticam o mal!”.
Trata-se aqui de pessoas ativas na igreja, mas cuja motivação não é bíblica. Nem são renascidas e penetram na igreja por ganância. Essa gente, que Paulo chama de “cães” e praticantes do mal, introduzirá uma falsa circuncisão.
Teria Paulo algo contra a circuncisão? Em Filipenses 3.5 ele diz de si mesmo: “Circuncidado no oitavo dia”. Mas ali ele fala da sua vida quando ainda não era crente. Contudo, o que foi que ele fez depois com Timóteo? Atos 16.1-3 relata: “[Paulo] Chegou a Derbe e depois a Listra, onde vivia um discípulo chamado Timóteo. Sua mãe era uma judia convertida e seu pai era grego. Os irmãos de Listra e Icônio davam bom testemunho dele. Paulo, querendo levá-lo na viagem, circuncidou-o por causa dos judeus que viviam naquela região, pois todos sabiam que seu pai era grego”.
Paulo circuncidou Timóteo. A mãe de Timóteo era judia e sua circuncisão era uma expressão do seu pertencimento ao povo de Israel. Ele era judeu, e por isso não havia nenhum problema em que ele se circuncidasse. A circuncisão foi feita para que ele não escandalizasse os judeus. Paulo mesmo escreveu que ele se tornou judeu para os judeus e grego para os gregos (1Co 9.20-21). Esse foi um passo muito sábio de Paulo a fim de não se expor desnecessariamente a ataques. No entanto, isso de modo nenhum significa que ele pregasse a circuncisão. Ele enfatizava que aqueles que introduziam a falsa circuncisão exigiam a circuncisão de todos.
Também nós precisamos ficar atentos em relação ao judaísmo para não nos ocuparmos com coisas que nos conduzam de volta à lei da antiga aliança ou de introduzi-las em nossa vida, afastando-nos assim da graça de Cristo. Pergunto-me por que um cristão deveria de repente colocar um quipá na cabeça se o Senhor e os apóstolos não mandaram fazer isso. Talvez alguém goste disso, mas o faz para quem? E se alguém quiser guardar o sábado, que o faça, mas então essa pessoa deveria guardar ainda muito mais da lei da antiga aliança. Temos alguém que cumpriu toda a lei: Jesus Cristo. Ele nos salvou. O objetivo de Paulo era anunciar que não precisamos mais retornar à lei.
Deus não quer que vivamos a nossa fé em função da nossa própria força, porque assim fracassaremos.
Ele explica: “Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne” (Fp 3.3, RA). Nós que pertencemos a Jesus Cristo é que somos a circuncisão, tanto gentios como judeus. Deus não quer que vivamos a nossa fé em função da nossa própria força, porque assim fracassaremos. A nossa própria força nos levará ao desespero.
Quando Paulo enfatiza aqui o termo “carne”, ele não se refere a algum comportamento pecaminoso. A lei não é pecado; antes, a lei revela a nossa pecaminosidade. Quando a Bíblia fala de carne, geralmente ela trata da oposição entre a carne e o espírito. Muitas vezes interpretamos a ideia de “carne” como pecado, imoralidade, adultério, prostituição, mas aqui não se trata de pecado e sim de algo que queremos alcançar na carne por meio da nossa própria força. A carne é a essência do “eu”: eu preciso fazer, eu preciso cumprir a lei, eu preciso orar cinco vezes por dia etc. Confiar na carne busca uma redenção por obras – e nesse caso estaríamos perdidos. Quando vivemos no Espírito, não nos orgulhamos do nosso próprio desempenho, mas tão somente de Cristo, e é exatamente isso que Paulo faz nos versículos seguintes, em que ele mostra que, se um judeu pudesse orgulhar-se de tudo aquilo que conseguiu por meio da carne, então esse judeu seria ele mesmo. Mas Paulo considera tudo isso como perda, como lixo. Para Paulo, Jesus Cristo tornou-se tudo.
“Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie. Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos” (Ef 2.8-10).

Postagem

  Qual o seu ponto de vista? Porque vivemos por fé, e não pelo que vemos. - 2 Coríntios 5:7 Qual é o seu ponto de vista diante das situações...