Anuncio

terça-feira, 2 de março de 2021

 

Medo, nosso companheiro indesejado

Daniel Lima

O medo faz parte da experiência humana. Bebês sentem medo com barulhos altos muito antes de saber qual o perigo por trás do som. A maioria de nós tem medo de alguma coisa. Pode ser de algo sério, como um cão agressivo, alta velocidade ou doenças; pode ser de coisas até engraçadas, como medo do escuro, de altura ou de borboletas. Parece que ser humano é sentir medo. O curioso é que esse medo é tanto uma reação ao perigo real como ao imaginário.

Com uma rápida consulta na internet, lemos a seguinte definição: “Estado emocional provocado pela consciência que se tem diante do perigo; aquilo que provoca essa consciência”.[1] Assim, o medo pode ser fruto da consciência de um perigo (por exemplo, quando você está em um lugar alto do qual pode cair) ou, ao contrário, o medo pode gerar essa consciência quando o perigo inexiste (por exemplo, se houver uma cerca segura neste local alto).

Como cristãos, confundimos medo e temor. Embora possam ser parecidos, são sensações totalmente diferentes. Não somos chamados a ter medo de Deus, mas sim temor (Salmos 111.10; Provérbios 1.7). Moramos como família há anos no Rio Grande do Sul. Um de nossos passeios favoritos é ir até os cânions da região dos Aparados da Serra. Para quem não conhece, são paredões de pedra de até 700 metros de altura. Eu não tenho medo dos paredões, tenho respeito (temor?) pela sua imensidão. No entanto, se eu estiver na beirada e escorregar, terei medo das consequências de cair.

O mesmo ocorre com Deus. Quem conhece a Deus, mesmo que superficialmente, fica impressionado com seu poder e por isso teme. Contudo, quando alguém decide ignorar o Senhor e contrariar seus propósitos, deve, sim, ter medo das consequências. O temor é positivo nesse sentido, mas o medo sempre é algo negativo. Em seu excelente devocional The Blue Book, o autor Jim Branch escreve:

Quanto mais velho eu fico, mais eu me dou conta de que possivelmente o pior inimigo de nossas vidas espirituais (além de Satanás) é o medo. Medo parece estar no centro de tudo que luta contra o meu bem de coração e alma. No centro de meu ativismo está o medo. No centro de minha insegurança, o medo. No centro de minha ansiedade, o medo. No centro de minha competitividade... sim, o medo.[2]


O apóstolo João nos alerta para o fato de que o “perfeito amor expulsa o medo” (1João 4.18). De uma forma mais clara, podemos retomar a narrativa da Queda e veremos a entrada do medo na humanidade. Em Gênesis 3.8-10, lemos:

Ouvindo o homem e sua mulher os passos do Senhor Deus, que andava pelo jardim quando soprava a brisa do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim. Mas o Senhor Deus chamou o homem, perguntando: “Onde está você?” E ele respondeu: “Ouvi teus passos no jardim e fiquei com medo, porque estava nu; por isso me escondi”

O homem nunca havia sentido medo antes. Algo mudou dentro dele. Larry Crabb define assim a reação humana:

Fiquei com medo... emoção central de Adão; porque estava nu (exposto)... sua motivação central e por isso me escondi... sua estratégia central.[3]

O medo – que hoje é parte da experiência humana – foi inaugurado dessa forma, pois o homem, motivado por sua exposição, resolveu buscar uma solução por conta própria, sem Deus. Creio que o medo é realmente a grande arma de Satanás para impedir nossa aproximação de Deus. Seu argumento ao tentar Eva foi que Deus a estava enganando, de que havia algo melhor. Com medo de que estava perdendo algo, Eva (e Adão) pecaram.


De que modo o medo atrapalha sua vida espiritual? Você tem medo do fracasso (qualquer que seja sua definição de fracasso)? Você tem medo de perder relacionamentos importantes? Você tem medo da rejeição? Ou da dor, da pobreza? Qualquer que seja seu medo, este é um indicativo da estratégia de Satanás para afastá-lo de Deus.

Deixe-me alistar alguns passos ao enfrentar o medo:

  1. Identifique seu medo. O que você mais teme? Identifique e avalie qual a real possibilidade de que isso aconteça. Um medo não definido é gigantesco, e lembre-se: medo gera ainda mais medo. Na minha experiência, eu posso tratar do medo ao identificá-lo; posso avaliá-lo e reconhecê-lo antes que me paralise.

  2. Reconheça que o verdadeiro inimigo é Satanás. Ele é o pai de toda mentira (João 8.44). Na passagem de 2Coríntios 10.3-5, Paulo nos exorta a destruir argumentos (a palavra no original é sofisma, uma mentira bem contada). Quais são as mentiras que você tem deixado que se tornem fortalezas em sua vida? Essas mentiras com certeza estão por trás dos seus medos.

  3. Cultive a verdade de que “o perfeito amor expulsa o medo” (1João 4.18). À medida que conseguimos confiar neste Deus que é todo poderoso e ama perfeitamente, percebemos que estamos seguros, que não há nada a temer.

Minha oração, por você, leitor, e por mim, é que a realidade do amor de Deus e de seu poder afastem de nós esse companheiro indesejado. E que, sendo ousados nas promessas e na segurança de nossa relação com Deus, possamos experimentar um vida muito mais plena.

 

O maravilhoso alvo de cada cristão

“Nisso vocês exultam, ainda que agora, por um pouco de tempo, devam ser entristecidos por todo tipo de provação. Assim acontece para que fique comprovado que a fé que vocês têm, muito mais valiosa do que o ouro que perece, mesmo que refinado pelo fogo, é genuína e resultará em louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo for revelado.” (1Pedro 1.6-7)


O motivo de alegria que nos fortalece em todas as angústias destes tempos finais é a certeza de que a vitória pertence a Jesus Cristo. Essa vitória foi conquistada na cruz do Gólgota. Desde então o Diabo e seus ajudantes anticristãos promovem ataques de retirada. O tempo para eles está apertado, pois a sua rendição definitiva está próxima (Apocalipse 12.9). É verdade que o Anticristo ainda estabelecerá seu domínio de terror na terra, mas este será por tempo limitado: após “quarenta e dois meses”, ele e o seu falso profeta serão jogados no “lago de fogo”. Ali ele será seguido – após o final do reino milenar de paz de Jesus Cristo – por Satanás: “O Diabo, que as enganava [as nações], foi lançado no lago de fogo que arde com enxofre, onde já haviam sido lançados a besta e o falso profeta. Eles serão atormentados dia e noite, para todo o sempre” (Apocalipse 20.10).

Depois de subjugar o Maligno, Deus conduzirá à Jerusalém Celestial todos os que permaneceram fiéis a ele e a seu Filho, Jesus Cristo. Naquele lugar “não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou. Aquele que estava assentado no trono disse: ‘Estou fazendo novas todas as coisas!’” (Apocalipse 21.4-5a). E, juntamente com as legiões celestes, a igreja dos redimidos adorará e louvará a Deus, dizendo: “Digno é o Cordeiro que foi morto de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor!... Àquele que está assentado no trono e ao Cordeiro sejam o louvor, a honra, a glória e o poder, para todo o sempre!... Amém...” (Apocalipse 5.12-14).

Todo o cristão que não apenas diz ser um, mas que verdadeiramente crê em Jesus Cristo como Salvador e Senhor, está a caminho de um maravilhoso alvo. Esse alvo consiste (1) em poder estar para sempre junto de Deus; contemplar aquele que criou o mundo e amou este mundo de tal maneira que, em favor dele, entregou o seu Filho Unigênito à morte (João 3.16); (2) agradecer a ele que nos concede vida em abundância; (3) ser consolado por ele, que nos diz: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu darei descanso a vocês” (Mateus 11.28); e (4) participar da festa mencionada em Apocalipse 19: “Aleluia!, pois reina o Senhor, o nosso Deus, o Todo-poderoso. Regozijemo-nos! Vamos alegrar-nos e dar-lhe glória! Pois chegou a hora do casamento do Cordeiro, e a sua noiva já se aprontou” (v. 6-7).

Lothar Gassmann

sábado, 13 de fevereiro de 2021

 

Como reagir a mudanças?

Daniel Lima

Nunca velejei, mas sempre fiquei encantado com o modo como um velejador consegue trabalhar com o vento e se dirigir ao seu destino mesmo que o vento não seja favorável. Entre as poucas certezas que podemos ter em nossas vidas, uma delas é que vamos enfrentar mudanças. E essas mudanças serão surpreendentes, tirarão nosso fôlego e abalarão nossas certezas e planos. Este último ano foi palco de muitas mudanças. E isso não é fruto só da pandemia! Valores, ideias, certezas “inabaláveis” estão sendo questionadas constantemente. Algumas mudanças são perversas e demonstram como o coração do homem está longe de Deus, mas outras são resultado de estudo, descobertas e daquilo que chamamos “graça comum”.

A pandemia, como toda catástrofe, acelerou algumas mudanças que já se apresentavam no horizonte. Por exemplo o “home office”, ou trabalhar em casa. Conheço muita gente que neste último ano se adaptou para conduzir seu trabalho de casa e hoje descobriu que este pode ser tão bem conduzido, às vezes até melhor, a partir de sua própria casa. Muitas escolas tiveram que alterar rapidamente para uma educação à distância e têm obtido resultados excelentes, muito embora muito ainda precise ser feito.

Muito do que estávamos acostumados como igrejas evangélicas teve de ser adaptado durante a pandemia. Encontros e eventos tiveram de ser transformados em atividades online. Igrejas que não puderam fazer a transição ficaram esvaziadas. Não poucos líderes estão ainda hoje sem saber como retomar seus ministérios. Há aqueles que fecham os olhos e continuam exatamente da mesma maneira, crendo que se Deus abençoou um método antes, ele certamente abençoará de novo – o que chamam de fidelidade. Outros adotam novas posturas, tentam aproveitar novidades e modismos. Por fim há aqueles que percebem as mudanças, querem aprender com estas, embora ainda valorizem métodos antigos. Estes entendem que fidelidade, muito acima de ater-se a uma forma, é descobrir como continuar o ministério preservando o que é inegociável.

Fidelidade diante de mudanças é mudar o que precisa ser mudado para preservar o que não pode ser mudado.

Quando mudanças tão abrangentes ocorrem, todos voltamos à estaca zero, ou seja, aquilo que nos levou ao resultado desejado ontem não garante o fruto de amanhã. Os exemplos bíblicos de pessoas tementes a Deus que foram lançados em situações de mudança são inúmeros: Adão e Eva tiveram de se adaptar a um mundo hostil. José teve de aprender os costumes egípcios. Davi teve de se tornar um líder de homens e eventualmente de uma nação. Ester teve de aprender a viver como rainha. Neemias teve de se tornar o reconstrutor de uma cidade arrasada. No Novo Testamento, homens como Pedro, Zaqueu, Cornélio e João tiveram de abandonar não só seus estilos de vida, mas grande parte do que acreditavam.

Diante de mudanças, é natural ficarmos confusos e, de alguma forma, nos agarrarmos ao passado. Fidelidade diante de mudanças é mudar o que precisa ser mudado para preservar o que não pode ser mudado. Talvez o personagem que mais nos deixou suas reações diante de mudanças foi Paulo. Em Filipenses 3 ele escreve sobre como todo seu passado e seus distintivos de glória se tornaram inúteis. Lemos no verso 7: “Mas o que para mim era lucro, passei a considerar como perda, por causa de Cristo”. O que era lucro, o que lhe dava significado e valor, agora era inútil. Mais adiante, lemos nos versos 13-14:

Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.

Gostaria de compartilhar algumas observações sobre como reagir a mudanças, seja em nosso trabalho, em casa, na igreja ou mesmo na minha caminhada com o Senhor:

1. Identifique a essência. Paulo afirma que prosseguia para o alvo. Qual é o alvo? O que realmente importa? O que é mais importante em seu relacionamento com alguém: manter tradições ou viver em comunhão? Em nossos ministério, o que realmente buscamos: manter programas vivos ou alcançar pessoas para Jesus? Não podemos abrir mão da essência em tempo de mudança, já a forma pode (e talvez deva) ser adaptada ou reinventada.

2. Esqueça o que ficou para trás. Somos criaturas de costumes, nossa tendência é nos apaixonarmos por hábitos. Certamente não foi algo fácil para Paulo dizer que deixou para trás toda sua tradição como fariseu. Para seguirmos a Deus, com frequência, precisamos abandonar formas que nos eram muito queridas e confortáveis.

3. Descubra como continuar avançando. Não é possível manter a essência sem uma forma. Se a antiga maneira de fazer não serve mais, precisamos descobrir de que maneira podemos preservar o que é realmente importante. Se uma forma de manter comunhão com irmãos em Cristo não funciona mais, precisamos descobrir como manter comunhão de outra forma.

4. Cultive sua dependência daquele que não nos abandona. Em vários de seus escritos Paulo deixa claro que seus esforços não se baseiam em suas próprias capacidades. Sua confiança estava naquele que podia cuidar dele e capacitá-lo para enfrentar com vitória todas as situações em que Deus o colocasse. Lemos em Colossenses 1.29: “Para isso eu me esforço, lutando conforme a sua força, que atua poderosamente em mim”.

Minha oração por você e por mim, nestes tempos de mudança, tanto externa como interna, é que nossos corações continuem a olhar para Jesus, o autor e consumador de nossa fé, e que possamos reagir a mudanças com leveza, sem apegos desnecessários, mas igualmente sem abrir mão daquilo que é essência: “‘Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento’ e ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’” (Lucas 10.27).

 

Sete dicas para quando somos alvo de calúnias

“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus.” (Mateus 5.11)


Na semana passada, vimos algumas dicas de como agir quando ouvimos fofocas de outras pessoas. Hoje, quero compartilhar algumas sugestões do que fazer quando – como cristão – você mesmo for alvo de calúnias ou murmurações.

1. Diante de Deus, eu examino honestamente quais acusações são fundamentadas e quais não são.

2. Onde houver culpa, eu a reconheço diante de Deus e me penitencio. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” (1João 1.9). Ao mesmo tempo, procuro fazer a reparação junto à pessoa com quem eu falhei.

3. Estou ciente: tendo havido perdão de pecados, as outras pessoas (e eu mesmo) não têm o direito de recordá-los novamente.

4. Quando ocorrerem falsos boatos, exageros ou mentiras, tenho duas possibilidades: ou eu silencio – seguindo o exemplo de Jesus, que “quando insultado, não revidava” (1Pedro 2.23), ou eu me posiciono sobre isso.

5. Será necessária uma tomada de posição quando a verdade for tão desfigurada que não apenas eu, mas também a causa de Deus, em cujo serviço eu estou, for prejudicada (ver p. ex. o posicionamento de Jesus diante das acusações dos fariseus, em Mateus 12.24-30).

6. De minha parte, o posicionamento deve ser o mais prático possível – e no amor de Cristo. “Façam tudo com amor” (1Coríntios 16.14).

7. Tenho plena certeza de que a sentença final não está nas mãos de pessoas, mas na mão daquele que, “sem parcialidade, julga segundo as obras de cada um” (1Pedro 1.17).

Tu vês o oceano de lágrimas
Conheces aflição, miséria e dor.
Mas a esperança, que nunca falha
Recebo de ti, meu Deus e Senhor.

Quando estou em dificuldades
Eu nada preciso temer:
O teu olho vigia também na noite
E pode nova luz conceder.

Tua Palavra gera vida nova
Onde havia morte e pecado.
Tu vives em mim e eu em ti,
Estou maravilhosamente guardado.

Lothar Gassmann


terça-feira, 5 de janeiro de 2021

 

Jesus, a Porta

Daniel Lima

Comunicação é uma das tarefas mais complexas que o ser humano desempenha. Por isso, talvez, temos tantos conflitos e mal-entendidos entre nós. O que é óbvio para um chega a ser estranho e até inaceitável para outro. Por isso, um dos fundamentos da comunicação é relacionar fatos novos e estranhos ao que já é conhecido e familiar. Jesus ensinava verdades profundas e revolucionárias estabelecendo conexões com fatos e costumes cotidianos.

O capítulo 9 do evangelho de João registra Jesus curando um cego de nascença, o que gera um tumulto na comunidade religiosa judaica. O conflito é baseado no fato de Jesus ter inegavelmente restaurado a visão daquele homem e ao fato de que o próprio homem reconhece que só alguém “de Deus” poderia fazer isso (João 9.33). No verso seguinte a esta conclusão, este homem é expulso da sinagoga. Isso equivale a ser excluído do “povo de Deus”. É importante salientar que ele não foi excluído por pecado ou qualquer transgressão, mas por afirmar que aquele que o havia curado era de Deus!

Jesus ensinava verdades profundas e revolucionárias estabelecendo conexões com fatos e costumes cotidianos.

Jesus o acolhe e este homem chega a uma fé salvadora. Na sequência, Jesus começa a ensinar sobre pastores e ovelhas. Essa realidade pastoril era extremamente comum naqueles dias. Mesmo quem nunca trabalhava com ovelhas conhecia, em termos gerais, a cultura do cuidado desses animais. No capítulo 10 Jesus faz duas afirmações sobre si mesmo: eu sou a Porta e eu sou o Bom Pastor. Neste artigo quero falar sobre o que Jesus quis dizer com “ser a porta”. Em muitos locais em Israel da época, aldeias tinham um cercado comunitário onde pastores podiam, por um preço, deixar suas ovelhas. Era uma área murada guardada por um porteiro (João 10.3). O pastor podia deixar ali suas ovelhas e as chamar com seu sinal característico quando voltasse para buscá-las. Suas ovelhas reconheciam sua voz e o seguiam. As demais ovelhas – não reconhecendo a voz do seu pastor – se afastavam dele. O curral aqui mencionado era diferente do cercado frágil em que o pastor deixava suas ovelhas e se deitava na porta para que elas não se perdessem. Este curral tinha uma porta sólida que protegia as ovelhas tanto de ladrões quanto de predadores.


O ensino central desta passagem pode ser encontrado em João 10.9-10:

Eu sou a porta; quem entra por mim será salvo. Entrará e sairá, e encontrará pastagem. O ladrão vem apenas para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham plenamente.

Há promessas e lições preciosas para nós nestes versos. Eu identifico pelo menos quatro: 1) Jesus como único salvador; 2) entrar e sair; 3) encontrar pastagem; e 4) cuidado com o ladrão.

  1. Jesus como único salvador. Esta lição é óbvia e extremamente clara para todo aquele que conhece a Bíblia. No entanto, é importante afirmar que estes abrigos tinham uma só porta e não várias. Jesus torna isso muito claro em outras passagens (João 1.12; 3.16-18; 14.6). Na verdade, existem outras ofertas de portas, mas só uma conduz à salvação. Num mundo crescentemente pluralista, esta afirmação soa como politicamente incorreta, mas é nosso “Shemah” (Deuteronômio 6.4), nossa mais clara declaração de fé.

  2. Entrar e sair. A expressão usada por Jesus é que “quem entra por mim será salvo. Entrará e sairá...”. O curral era um local seguro, mas não o destino das ovelhas. Elas não viviam no curral. Elas viviam fora deste. Ali elas eram protegidas, alimentadas e por vezes curadas, mas seu destino, seu local de moradia, era fora. Penso muito nisso ao observar nossas igrejas. É seguro afirmar que a grande maioria dos esforços de nossas igrejas se limita a cuidar dos salvos e suas famílias.

    O professor e implantador de igrejas Dr. Scott Horrell afirmou em seu livro A Essência da Igreja: “Na maioria das igrejas ocidentais hoje, os dons e recursos dos membros são canalizados primariamente para construir e equipar centros institucionais. O propósito é estabelecer uma base de adoração, com eventuais incursões para ajudar os pobres ou alcançar aqueles sem Cristo”.

    Como salvos, somos chamados a entrar e ser cuidados, mas igualmente a sair e manifestar nosso Salvador (Mateus 28.19-20).

  3. Encontrar pastagem. A expressão, curiosamente, se refere a encontrar alimento fora do curral. Assim, Jesus promete nos sustentar tanto dentro quanto fora do curral. Nossa identidade não é definida pelo curral, mas por sermos suas ovelhas. Uma vez suas ovelhas, entramos, saímos e somos por ele alimentados. Nossa única participação é continuarmos nele.

  4. Cuidado com o ladrão. Jesus nos alerta para cuidar com aquele cujo propósito é “roubar, matar e destruir”. Muito embora exista uma referência aos falsos pastores de Israel (Ezequiel 34), Jesus se refere aqui ao próprio Diabo. O alerta de Jesus é para que fiquemos atentos, pois qualquer outro “salvador” é na verdade um agente do Diabo para roubar, matar e destruir.

Nossa fé se baseia na pessoa de Cristo. Somos chamados a conhecê-lo e a segui-lo. Minha oração é que ele seja não só nossa porta de acesso ao Pai como também aquele que nos protege e nos alimenta.


sábado, 5 de dezembro de 2020

 

Livros e Folhetos Gratuitos SO PEDIR

Quer receber literatura evangélica grátis? 


Folhetos             


          Segue-se abaixo uma lista de endereços onde pode ser solicitados folhetos grátis em português. Dividi em duas categorias. 1ª Brasil; 2ª Exterior.                                                               
            Às vezes demora em média um ou dois meses e até mais, dependendo do lugar, mas vale a pena solicitar de todos os endereços, pois quando começar a chegar, você terá muitos folhetos disponíveis para evangelismo. Ao receber uma remessa, repita o pedido novamente. Se souberem de algum endereço além destes, queiram me indicar para postar aqui também. Obrigado!


          "Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor" (I Corintios 15.58)



Brasil                                                 

Dica: Nos endereços que contenham sites e/ou e-mail, podem ser feitos pedidos através da internet. É mais rápido, econômico e prático


 A Mensagem do Amor de Deus  
Av. Ver. Toaldo Túlio, 1750 - São Bráz - Curitiba - PR - Cep: 82320-010          (Pedidos de Folhetos evangelísticos sem propagando denominacional. Eles também mandam Bíblias e Novo Testamento, conforme disponibilidade).

 Distribuidora de Literatura Cristã
Cx. Postal 142 – Rio Verde – GO - Cep: 75901-970                                          
(Pedidos de Folhetos evangelísticos com propagando denominacional, mas vale a pena. São muito bons para evangelismo e dá pra carimbar o endereço da Igreja. Eu já recebi uma Bíblia grátis). Pedidos podem ser feitos também pelo e-mail:  literatura@menonita.org.br

 Missão Aleluia
Cx. Postal 1066 – Belo Horizonte – MG - Cep: 30123-970                                (Pedidos de Folhetos evangelísticos sem propagando denominacional. Mandam poucos folhetos, mas você pode comprar a um preço bem acessível. Eu recebi Um Novo Testamento - O Mais Importante é o Amor).

Canaã no Brasil - www.canaan.org.br 
Cx. Postal 440 – Curitiba – PR - Cep: 80011-970 
(Pedidos de Folhetos evangelísticos. Mandam livros na medida do possível. Excelentes para a vida cristã. Pedidos podem ser feitos através do site também)



Curso Bíblico “Luz da Vida”
Cx. Postal 252 - Caruaru – PE – Cep: 55.000-000
 (Eles enviam um Curso Bíblico e folhetos. Também já recebi Novo Testamento).

Agencia Missionária Interlink - www.interlink.org.br 
Cx. Postal 8005 - São José dos Campos – SP – Cep: 12216-970
(Eles enviam livretos e folhetos evangelísticos gratuitamente, bastando você pagar apenas as despesas de correio. Mandam caixa com 10 Kg. Vale à pena!)

Familia Smith
Rua São Paulo, 847/502 – Belo Horizonte – MG.  Cep: 30170-131
(Mandam cerca de 200 folhetos por remessa. Já recebi um Novo Testamento).

Caso você tenha pressa em utilizar folhetos, pode baixar da internet e imprimir, ou mesmo digitar seus próprios folhetos.


Baixar Folhetos 






Exterior




            Vale a pena lembrar que ao solicitar literaturas de uma instituição estrangeira, você deve sempre indicar seu idioma oficial e em que língua gostaria de receber literaturas. Sempre faço pedidos em português mesmo, mas se você dominar bem o inglês, será mais fácil para eles). É sempre bom usar um tradutor para traduzir as páginas, assim dá para entender o conteúdo do site.
      

ALL NATIONS GOSPEL PUBLISHERS
P.O.Box 2191, Pretoria, 0001, R.S.A.
(Mandam folhetos evangelísticos gratuitamente para várias partes do mundo e Exemplares do Livro “O CORAÇÃO DO HOMEM”)


Apostolic Faith Church
6615 SE 52nd Avenue – Portland, Oregon. 97206 - U.S.A                            (Pedidos de Folhetos evangelísticos com o nome da igreja, mas em geral são muito bons. Mandam cerca de 1000 folhetos por remessa. Também mandam um Livrinho intitulado "30 Dias no Caminho Para a Eternidade". Pedidos podem ser feitos através do e-mail também)  

Bibel fur die Welt  www.goldene-worte.de
Deutsch-Kanadisches Missinswerk e.V.                                      
D-72172 / Neckar - Alemanha                                                              
(Pedidos de Folhetos evangelísticos em português. Eu já recebi uma Bíblia grátis) 

World-Wide Christian Literature, Inc.
P.O. Box 1720 – Burbank, CA – U.S.A. 
(Pedidos de Folhetos evangelísticos em português só via correio) 

Difusão de Tratados Cristãos
Apartado, CH-2500 – Biel-Bienne 8 (Suiça)  - E-Mail: info@dclit.net             (Pedidos de Folhetos evangelísticos em português. Geralmente enviam uma remessa de 5 ou 6 kg de literaturas. Mandam Novo Testamento, Evangelho de João. Eu sempre recebo uma Bíblia a cada remessa)      

World Services Incorporated www.realmiracles.com
P.O. Box ‘A’ – Downey – California - 90241 – U.S.A 
(Pedidos de Folhetos evangelísticos em português. Recentemente recebi uma remessa contendo uns 6 mil folhetos)    

Literatura Cristã
Route de Cheseaux 2 - CH-1400 – Yverdon (Suiça)                        
(Pedidos de Folhetos evangelísticos em português, livros e Bíblias, conforme disponibilidade, só via correio). 

GBV Dillenburg GmbH www.gbv-dillenburg.de            Eiershauser Str. 54  - 35713 Eschenburg – Germany                                     (Pedidos de Folhetos evangelísticos em português)    

European Christian Mission - E-mail:ecmnl@wxs.nl         Postbus 861, 7400 AW Deventer, Holanda                          
(Recebi uma revista em Português falando sobre evangelismo e missões. Bem interessante)







Livros


Devocional BOA SEMENTE 2011
Para cada dia um versículo bíblico e uma mensagem biblicamente fundada
Um bom presente!
Depósito de Literatura Cristã
           Rua Arlindo Bétio, 117 - Diadema - SP - Cep: 09911-470
  • Literatura com aplicação evangelística; Ideal para uso em família; Ideal para presentear descrentes. Conteúdo de boa reputação 
  • É enviado 1 (Um) exemplar gratuitamente para quem não possa comprá-lo, ou você poderá adquirir em quantidade a um preço bem acessível. É só acessar o site e pedir através do Fale Conosco.
                     Você também pode solicitar folhetos que eles mandam. 

Cristo Para Todas as Nações
            Para quem quer receber bons livros grátis, a CPTN disponibiliza livros de excelente conteúdo cristão gratuitamente. É só acessar o site e solicitar.  
Clique Aqui 

Clique Aqui 


(Oferece o Devocional Trimestral “Nosso Andar Diário” gratuitamente. O pedido pode ser feito clicando Aqui).

Apartado 40 – Malveira – Portugal - 2665-999
(Oferecem um Devocional Excelente. Um curso bíblico por correspondência e ainda a possibilidade de mandar uma Bíblia ao final do curso).

sábado, 28 de novembro de 2020

 

O poder da pergunta

Daniel Lima

Desde pequeno nos apaixonamos por respostas. Geralmente não buscamos perguntas, mas respostas. Perguntas revelam algo que nos falta, que não sabemos, nossa incompletude, evidenciam nossa necessidade de algo fora de nós mesmos. Mesmo durante aquele delicioso período em que as crianças perguntam incessantemente “por que?”; isso é apenas um exercício de conversação. O que queremos mesmo é a resposta!

É óbvio que nós perguntamos para obter respostas. No entanto, tenho refletido que nossa tendência é correr rápido demais atrás de respostas, mesmo que venham rápido ou sejam genéricas ou simplistas. Respostas assim podem resolver a questão, mas eu temo que não alimentem nosso coração. Pelo contrário, o período de dúvida, de curiosidade, de busca e de inquietação me parece o período em que mais crescemos.

Jesus ensinava por meio de perguntas. Eu imagino que os discípulos ficavam frustrados com respostas que, ao invés de encerrar suas dúvidas, despertavam novas. As respostas de Jesus não solucionavam quando as perguntas (ou a intenção por trás delas) eram imediatistas e utilitárias. Veja por exemplo aquele homem que perguntou a Jesus “Bom mestre, que farei para herdar a vida eterna?” (Marco 10.17). Não podemos julgar seu coração, mas podemos inferir a partir da resposta de Jesus que ele não queria realmente saber o que fazer para herdar a vida eterna. Talvez ele quisesse um reconhecimento de Jesus quanto à sua religiosidade, talvez ele quisesse algo que estava dentro do seu controle e que ele pudesse fazer sem muito sacrifício, talvez ele quisesse apenas confirmar suas opiniões. O fato é que a resposta de Jesus o frustrou e, pelo que podemos ler, ele decidiu não seguir a orientação de Cristo.

Vemos um contraste com o mestre da lei que pergunta a Jesus qual o mandamento mais importante (Marcos 12.28). Este ouve, aceita e concorda com a resposta. Nesta interação pode-se perceber como aquele que perguntou toma a resposta de Jesus e a leva um passo adiante. Nos versos 29-31 lemos o registro da resposta de Jesus citando como mais importante amar a Deus e em seguida destacando que o segundo é amar o próximo. O mestre da lei concorda e, ao final de sua resposta, acrescenta que amar a Deus e o próximo é mais importante que sacrifícios e ofertas. Esta declaração revolucionária e radical para um mestre da lei foi a aplicação da reposta de Jesus. Este homem parece que estava realmente lidando com a questão.

Não crescemos catalogando respostas, crescemos por meio de perguntas. Crescemos ao questionarmos, crescemos ao buscar com sinceridade a verdade.

Percebo em minha própria vida o quão inquieto eu fico quando não encontro respostas para minhas perguntas. Percebo que só ultimamente tenho apreciado o intervalo da dúvida. Lembro-me como houve momentos em que – encontrando uma resposta razoável – eu, tranquilizado, rapidamente abandonava a pergunta e me agarrava à certeza, ainda que fugaz de uma solução. Temo que em alguns casos estas respostas se transformaram em fortalezas em minha alma. Há conforto em respostas. Há segurança em respostas. Ao mesmo tempo, não crescemos catalogando respostas, crescemos por meio de perguntas. Crescemos ao questionarmos, crescemos ao buscar com sinceridade a verdade.

É claro que devemos buscar respostas. Não há crescimento em permanecer permanentemente duvidando e buscando soluções. Aqueles que assim o fazem, em geral, estão mais preocupados em rejeitar as implicações das respostas do que em encontrar verdades. Ao mesmo tempo, tenho sido alertado para não aceitar respostas rápido demais, abandonando assim as perguntas. Para o cristão, a pergunta sincera e humilde levada a Deus é o caminho para uma maior intimidade com ele, para viver uma maior dependência, para permanecer aos pés da cruz.

Vejo esta postura em Davi ao escrever o salmo 139. Após declarar poeticamente a soberania e o maravilhoso conhecimento de Deus, ele conclui escrevendo nos versos 23-24:

Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece as minhas inquietações. Vê se em minha conduta algo te ofende e dirige-me pelo caminho eterno.

Percebo nestes versos que, mesmo conhecendo o Senhor e confiando nele, o salmista encerra seu salmo dizendo a Deus: investiga minha vida e me revela se há algo que não vejo. Apesar de certezas reconfortantes, Davi ainda se perguntava se havia algo mais que Deus podia lhe dizer. Minha oração é que mesmo diante de certezas, nosso coração esteja sempre pronto a aprender mais de Deus, sempre aberto às perguntas que nos levam a conhecê-lo melhor.

Postagem

  Qual o seu ponto de vista? Porque vivemos por fé, e não pelo que vemos. - 2 Coríntios 5:7 Qual é o seu ponto de vista diante das situações...